O fenômeno El Niño deve marcar o segundo semestre na Bahia, especialmente nas regiões mais dependentes das chuvas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), há elevada probabilidade de o fenômeno se estender até o início de 2027.
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região. Enquanto o Sul deve registrar aumento das chuvas e maior risco de temporais, o Norte e o Nordeste tendem a enfrentar redução das precipitações.
Na prática, esse cenário pode agravar a estiagem no semiárido baiano. Como resultado, a produção agropecuária do estado pode ser prejudicada.
O que é o El Niño e por que ele afeta o clima?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação dos ventos e da umidade na atmosfera. Como consequência, o regime de chuvas muda em diferentes partes do planeta.

Na Bahia, o processo acontece de forma indireta. Primeiro, o aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica sobre a América do Sul. Com isso, o transporte de umidade para o interior do Nordeste diminui.
Consequentemente, há menos formação de nuvens e menor ocorrência de chuvas. Assim, o semiárido baiano pode enfrentar estiagens mais prolongadas. Já o litoral costuma sofrer impactos menos intensos devido à influência da umidade do Oceano Atlântico.
Produtores acompanham cenário com preocupação
Para o agronegócio, a redução das chuvas representa um dos principais desafios associados ao El Niño. A menor recarga de rios, açudes e reservatórios pode comprometer o abastecimento de água utilizado tanto na irrigação das lavouras quanto na criação de animais.
A preocupação é ainda maior em regiões onde a disponibilidade hídrica já é naturalmente limitada. Municípios da região semiárida acompanham com atenção a evolução das previsões climáticas, diante da possibilidade de agravamento da estiagem e de impactos sobre a produção agrícola e pecuária.
Além das lavouras, a redução das chuvas pode dificultar a formação de pastagens, elevar os custos com suplementação alimentar dos rebanhos e aumentar a necessidade de transporte de água para propriedades rurais.
Como o produtor pode se preparar?
Diante da possibilidade de um período mais seco, especialistas recomendam que os produtores adotem medidas preventivas para reduzir os impactos sobre a produção. Entre as alternativas estão a perfuração de novos poços, ampliação da capacidade de armazenamento de água, manutenção de reservatórios e o planejamento antecipado da alimentação dos rebanhos.
O uso mais eficiente da irrigação, aliado ao monitoramento constante das previsões meteorológicas, também pode contribuir para otimizar o uso dos recursos hídricos durante períodos de menor disponibilidade de água.
No entanto, o enfrentamento dos efeitos do El Niño não depende apenas dos produtores. Segundo representantes do setor, também são necessárias ações institucionais. Entre elas estão a agilização de obras hídricas, a ampliação do acesso ao crédito rural e o fortalecimento dos seguros agrícolas para produtores que registrarem perdas por estiagem.
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