Pouco mais de um mês após a União Europeia endurecer as exigências para a importação de produtos de origem animal do Brasil, o Governo Federal inicia uma das principais medidas para se adequar às novas regras de rastreabilidade da carne brasileira. A partir desta terça-feira (1º), passa a valer um novo sistema de rastreabilidade para animais destinados à exportação ao bloco europeu.
As mudanças ocorrem após a decisão da União Europeia de retirar o Brasil de uma lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal. A proibição acontece pela não-comprovação de que os animais brasileiros não fazem uso de antimicrobianos barrados pelo bloco.
O sistema busca ampliar o controle sobre todo o ciclo de vida dos animais, permitindo comprovar o cumprimento das exigências sanitárias. Todos os pontos foram estabelecidos pela legislação europeia, especialmente em relação ao uso de antimicrobianos.
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O que muda com o sistema de rastreabilidade da carne?
A proposta é acompanhar todo o histórico produtivo do rebanho, desde o nascimento até o abate. O novo sistema registrará todas as etapas para comprovar o atendimento às exigências sanitárias dos mercados importadores.
Na prática, será possível identificar a origem do animal, as propriedades por onde ele passou e informações sobre o manejo sanitário. Entre elas, estão: vacinação, tratamentos veterinários e histórico de saúde.
A medida também deve facilitar a emissão das certificações exigidas pelos países importadores. A expectativa é fortalecer ainda mais a credibilidade da carne brasileira no comércio exterior.
Pecuaristas enfrentam adaptação mais complexa
A bovinocultura deverá enfrentar um processo de adaptação mais longo do que outros segmentos. Isso ocorre porque, enquanto um frango de corte é abatido em cerca de 40 dias e os suínos levam aproximadamente cinco meses para completar o ciclo, os bovinos podem permanecer entre dois e três anos na produção.
Além disso, é comum que um mesmo animal passe por diferentes propriedades ao longo da vida, o que exige um acompanhamento contínuo de toda a cadeia produtiva para garantir a rastreabilidade exigida pelo mercado europeu.

Especialistas avaliam que a adaptação da cadeia pecuária ocorrerá de forma gradual. Animais nascidos até o dia de implementação do sistema não possuirão o histórico exigido. Além disso, produtores e entidades do setor ainda discutem alternativas para atender plenamente aos requisitos europeus sem comprometer a competitividade da pecuária brasileira.
Ainda assim, o novo sistema representa um passo importante para a pecuária brasileira. A expectativa é que a implantação da rastreabilidade fortaleça a posição do Brasil nas negociações com a União Europeia e com outros mercados que exigem elevados níveis de controle sanitário.
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