Barreira comercial: Diplomata vê manobra política em suspensão da carne brasileira pela UE

Governo Federal tem 15 dias para apresentar relatório técnico e tentar reverter veto que atinge proteína animal e produtos de origem animal a partir de setembro

Barreira comercial: Diplomata vê manobra política em suspensão da carne brasileira pela UE

A União Europeia (UE) anunciou, nesta terça-feira (12), a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco. A medida, com vigência a partir de 3 de setembro de 2026, é motivada pela ausência de garantias brasileiras sobre o controle de antimicrobianos na pecuária. O veto abrange cortes bovinos, aves, ovos, mel e peixes.

Crédito: Wenderson Araujo/CNA

Apesar do governo brasileiro afirmar ter recebido a decisão com surpresa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou que o país apresentará um relatório técnico detalhado ao bloco europeu em até 15 dias para tentar reverter a suspensão. 

Em nota oficial, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que adotará as providências necessárias para restabelecer o fluxo comercial com o mercado europeu. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) destacou que o Brasil será responsável pelo impedimento definitivo ou não. Tudo vai depender da análise das adequações apresentadas.

Análise de protecionismo comercial

Após a repercussão da medida, o ex-embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon, afirmou em análise recente que a decisão da União Europeia pode não ser estritamente sanitária. Segundo o estadunidense, essa seria uma manobra planejada para pressionar o Brasil em negociações comerciais.   

Crédito: Wenderson Araujo/ CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já havia alertado para o uso de exigências regulatórias como barreiras não tarifárias. Segundo a entidade, o bloco utiliza frequentemente esses mecanismos para proteger produtores locais contra setores altamente competitivos, como o de proteína animal.

Impacto no agronegócio da Bahia

Apesar de o volume de carne brasileira importado pela UE ter crescido 132% em 2025, a suspensão não deve gerar impactos para os pecuaristas baianos. Isso ocorre porque a União Europeia representa apenas uma pequena parcela do destino das exportações de carne originadas no estado da Bahia.

Conversas da Comunidade

0 comentários

Participe da conversa

Seu comentário será enviado para análise antes de aparecer publicamente.