O mundo está consumindo cada vez menos suco de laranja. Dados divulgados pela CitrusBR, com base em informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostram que o consumo global da bebida caiu 46,5% entre as safras 2010/11 e 2025/26. No mesmo período, a produção mundial de laranja recuou apenas 18%.
Segundo o levantamento, cerca de 2 bilhões de caixas de 40,8 quilos de laranja em forma de suco deixaram de ser consumidas ao longo de 16 anos. O cenário acende um alerta para toda a cadeia citrícola, incluindo estados produtores como a Bahia, que atravessa um momento delicado marcado pela desvalorização da fruta e pela preocupação com a rentabilidade da atividade.
Consumo de suco de laranja caiu pela metade
Em 2010/11, o consumo global de suco de laranja equivalia a 588,4 milhões de caixas. Para a safra 2025/26, a projeção é de apenas 314,5 milhões. O resultado mostra uma redução expressiva de um mercado que, por décadas, teve presença garantida na rotina alimentar de milhões de pessoas.
A retração é observada principalmente em mercados que historicamente associam o suco de laranja ao café da manhã, como Estados Unidos e Europa. Nos últimos anos, a diversificação das opções de bebidas e a busca por produtos associados à rotinas fitness, como bebidas proteicas, passaram a disputar espaço com o suco.
Outro fator que contribuiu para esse movimento foi a alta dos preços. Problemas climáticos e sanitários em importantes regiões produtoras reduziram a disponibilidade de frutas para processamento, elevando os custos ao longo da cadeia e encarecendo o produto para alguns consumidores.

Demanda pela laranja in natura permaneceu estável
Os dados do USDA mostram que a procura pela fruta fresca sofreu poucas alterações no período analisado. O volume destinado ao consumo in natura passou de aproximadamente 706 milhões de caixas em 2010/11 para 698 milhões em 2025/26, variação de apenas 1,1%.
O comportamento do mercado indica que a laranja continua presente na alimentação dos consumidores. A principal mudança ocorreu na forma de consumo, com uma participação cada vez maior da fruta fresca e uma redução do volume direcionado à fabricação de suco.
Cenário preocupa produtores baianos
Na Bahia, segundo maior produtor de laranja do Nordeste, grande parte da cadeia está ligada ao fornecimento de matéria-prima para indústrias que produzem o suco. Por isso, as oscilações do mercado internacional costumam influenciar diretamente a renda dos produtores.
O momento atual já é considerado desafiador para a citricultura baiana. O setor enfrenta uma forte queda nos preços pagos pela fruta no estado. Levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) aponta que o valor da tonelada da laranja registrou redução superior a 80% em comparação com os patamares observados em 2024.
- a articulação para incluir o suco de laranja na merenda escolar;
- a busca por recursos do Governo Federal para aquisição da produção excedente;
- a reativação da Câmara Setorial do Citrus, espaço permanente de diálogo entre o poder público e o setor produtivo;
- negociações para atrair novas indústrias ao estado.
A situação mobilizou produtores e autoridades do setor no início do ano. Entre as medidas apresentadas pela Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) estão:

O mercado da citricultura passa por mudanças
Ao mesmo tempo, o mercado internacional busca sinais de recuperação. A expectativa é que a redução da safra do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais — principal região produtora de laranja do mundo — contribua para diminuir a pressão sobre os estoques globais de suco.
Ainda assim, um dos principais desafios do setor continua sendo a recuperação do consumo. Para produtores da Bahia, o cenário reforça a necessidade de acompanhar não apenas o comportamento das safras e dos preços, mas também as transformações nos hábitos dos consumidores, que vêm redesenhando o mercado mundial da laranja e abrindo espaço para novas estratégias de comercialização da fruta.
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