Consumo de suco de laranja cai 46,5% no mundo e acende alerta para a citricultura baiana

O consumo global de suco de laranja caiu 46,5% em 16 anos; entenda como a mudança nos hábitos de consumo pode impactar a citricultura baiana.

Fotografia colorida mostrando um copo de suco de laranja em cima de uma mesa de ripas de madeira escura. Ao fundo, um engradado de garrafas de suco de laranja.

O mundo está consumindo cada vez menos suco de laranja. Dados divulgados pela CitrusBR, com base em informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostram que o consumo global da bebida caiu 46,5% entre as safras 2010/11 e 2025/26. No mesmo período, a produção mundial de laranja recuou apenas 18%.

Segundo o levantamento, cerca de 2 bilhões de caixas de 40,8 quilos de laranja em forma de suco deixaram de ser consumidas ao longo de 16 anos. O cenário acende um alerta para toda a cadeia citrícola, incluindo estados produtores como a Bahia, que atravessa um momento delicado marcado pela desvalorização da fruta e pela preocupação com a rentabilidade da atividade.

Consumo de suco de laranja caiu pela metade

Em 2010/11, o consumo global de suco de laranja equivalia a 588,4 milhões de caixas. Para a safra 2025/26, a projeção é de apenas 314,5 milhões. O resultado mostra uma redução expressiva de um mercado que, por décadas, teve presença garantida na rotina alimentar de milhões de pessoas.

A retração é observada principalmente em mercados que historicamente associam o suco de laranja ao café da manhã, como Estados Unidos e Europa. Nos últimos anos, a diversificação das opções de bebidas e a busca por produtos associados à rotinas fitness, como bebidas proteicas, passaram a disputar espaço com o suco.

Outro fator que contribuiu para esse movimento foi a alta dos preços. Problemas climáticos e sanitários em importantes regiões produtoras reduziram a disponibilidade de frutas para processamento, elevando os custos ao longo da cadeia e encarecendo o produto para alguns consumidores.

Fotografia de laranjas in natura em uma rede amarela.
Foto: Tony Oliveira/CNA Brasil

Demanda pela laranja in natura permaneceu estável

Os dados do USDA mostram que a procura pela fruta fresca sofreu poucas alterações no período analisado. O volume destinado ao consumo in natura passou de aproximadamente 706 milhões de caixas em 2010/11 para 698 milhões em 2025/26, variação de apenas 1,1%.

O comportamento do mercado indica que a laranja continua presente na alimentação dos consumidores. A principal mudança ocorreu na forma de consumo, com uma participação cada vez maior da fruta fresca e uma redução do volume direcionado à fabricação de suco.

Cenário preocupa produtores baianos

Na Bahia, segundo maior produtor de laranja do Nordeste, grande parte da cadeia está ligada ao fornecimento de matéria-prima para indústrias que produzem o suco. Por isso, as oscilações do mercado internacional costumam influenciar diretamente a renda dos produtores.

O momento atual já é considerado desafiador para a citricultura baiana. O setor enfrenta uma forte queda nos preços pagos pela fruta no estado. Levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) aponta que o valor da tonelada da laranja registrou redução superior a 80% em comparação com os patamares observados em 2024.

  • a articulação para incluir o suco de laranja na merenda escolar;
  • a busca por recursos do Governo Federal para aquisição da produção excedente;
  • a reativação da Câmara Setorial do Citrus, espaço permanente de diálogo entre o poder público e o setor produtivo;
  • negociações para atrair novas indústrias ao estado.

A situação mobilizou produtores e autoridades do setor no início do ano. Entre as medidas apresentadas pela Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) estão:

Fotografia colorida mostrando laranjas in natura passando por processo de limpeza em tanque d'água.
Foto: Wenderson Araujo/CNA Brasil

O mercado da citricultura passa por mudanças

Ao mesmo tempo, o mercado internacional busca sinais de recuperação. A expectativa é que a redução da safra do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais — principal região produtora de laranja do mundo — contribua para diminuir a pressão sobre os estoques globais de suco.

Ainda assim, um dos principais desafios do setor continua sendo a recuperação do consumo. Para produtores da Bahia, o cenário reforça a necessidade de acompanhar não apenas o comportamento das safras e dos preços, mas também as transformações nos hábitos dos consumidores, que vêm redesenhando o mercado mundial da laranja e abrindo espaço para novas estratégias de comercialização da fruta.

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