Uma audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) discutiu a crise na citricultura no estado. A produção de laranjas enfrenta um de seus momentos mais desafiadores, o que pode acarretar o fechamento de empresas e gerar desemprego em massa.
A audiência reuniu autoridades e representantes do setor para definir ações imediatas de suporte aos citricultores baianos. Segundo parlamentares, a situação exige medidas urgentes para garantir a sustentabilidade de uma cadeia que vinha apresentando avanços significativos na Bahia — que hoje ocupa o segundo lugar na lista de maiores produtores do fruto no Nordeste.
Um levantamento feito pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) constatou uma queda significativa no preço da commodity nos primeiros meses de 2026. Se comparada ao ano de 2024, a redução no preço da tonelada do fruto pode ultrapassar os 80%.

Vale destacar que o Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo. Por isso, uma crise na citricultura baiana representa uma ameaça direta ao papel de destaque do país no cenário internacional do setor.
Demandas do campo e desdobramentos institucionais
Durante a audiência, os produtores expressaram preocupação com as limitações atuais, mas reforçaram o potencial competitivo da Bahia. O estado possui custos de produção menores que os de São Paulo e está livre do greening. Essa doença, causada por bactérias transmitidas pelo inseto psilídeo, é incurável e provoca o definhamento das plantas e a maturação irregular dos frutos.

As principais reivindicações focaram na necessidade de fomento para agroindústrias locais e na manutenção da capacidade produtiva em mais de 30 municípios. Os encaminhamentos práticos do encontro incluem:
- Banco do Nordeste (BNB): Prorrogação por um ano dos financiamentos de custeio e investimento para cerca de oito mil produtores, totalizando R$ 240 milhões alocados. O banco também disponibilizou recursos para novos investimentos e implantação de agroindústrias.
- Desenbahia: Compromisso de buscar a prorrogação de financiamentos sob as mesmas taxas de juros vigentes e incentivar projetos de cooperativas e pequenas indústrias via recursos do BNDES.
- Conab: Solicitação para implementação dos programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), visando à compra direta e doação de produtos.
Próximos passos para a citricultura na Bahia

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) estima que existam aproximadamente 665 mil agricultores envolvidos na atividade no estado.
O objetivo central agora é estruturar o setor para que, em até dois anos, a Bahia possa colher os frutos dessas ações e consolidar-se como o maior polo produtor de citros do país.
Conversas da Comunidade
1 comentário[…] De acordo com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais deve atingir 255,20 milhões de caixas. A principal região produtora […]