O setor leiteiro nacional conta, a partir de agora, com uma ferramenta de gestão de riscos e proteção de margens. Lançada oficialmente nesta quarta-feira (13), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, a solução da StoneX Leite Brasil utiliza novos indicadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) para permitir a trava de preços futuros.
A iniciativa busca reduzir a insegurança de produtores, cooperativas e indústrias diante da volatilidade característica do mercado de lácteos. Para viabilizar a operação, o Cepea passou a disponibilizar três novos indicadores que servem como referência oficial para a liquidação financeira dos contratos no mercado de balcão (over-the-counter – OTC):
- Leite UHT – Sudeste: periodicidade diária (R$/litro);
- Queijo Muçarela – Sudeste: periodicidade diária (R$/kg);
- Leite em Pó Industrial 25 kg – São Paulo: periodicidade semanal (R$/kg).
Além destes, o indicador “Média Brasil” do leite ao produtor também será utilizado para a liquidação mensal.
Como funciona o hedge na prática
O mecanismo permite que o produtor venda contratos futuros para garantir um valor fixo por sua produção, independentemente das oscilações de mercado até a data da liquidação.
Se o preço de mercado subir além do travado, o produtor vende o produto físico pelo valor maior e compensa a diferença com a corretora. Caso o preço caia, ele recebe a compensação da corretora, mantendo a sua margem planejada.
Os lotes padrão variam conforme o produto:
- 40 mil litros para leite ao produtor e leite UHT;
- 4 mil quilos para queijo muçarela;
- 5 toneladas para leite em pó.
Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, ressaltou que a ferramenta é acessível a produtores de diferentes escalas, pois permite a negociação de contratos fracionados.

Impacto estratégico para o produtor
Para a CNA, a ferramenta representa um marco histórico para o setor, que movimenta anualmente R$ 70 bilhões em valor bruto da produção. Agora, a previsibilidade de receita permitirá ao produtor alocar investimentos com mais segurança, buscando ganhos de escala e eficiência no campo.
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