Bahia se destaca na produção orgânica e já é o 3º maior em número de produtores do Brasil

Registro de produtores orgânicos cresce na Bahia Mesmo com queda nacional, registro de produtores orgânicos cresce no Nordeste.

Bahia se destaca na produção orgânica e já é o 3º maior em número de produtores do Brasil

Embora a agricultura orgânica brasileira tenha registrado uma redução de 5,7% no número de unidades produtivas cadastradas em 2026, a produção orgânica na Bahia seguiu em trajetória de crescimento. O estado ocupa a terceira posição no ranking brasileiro, com 1.895 produtores registrados. Deste número total, 209 se registraram em 2026, o que coloca o estado na terceira posição no ranking brasileiro.

Entre os exemplos desse movimento está a produtora rural Izabella Dantas, de Nova Soure. Ela apostou na agricultura orgânica e regenerativa como forma de produzir alimentos de maneira mais sustentável.

A produtora destaca que agricultura orgânica produz alimentos com o mínimo de interferência, enquanto a agricultura regenerativa tem como foco a recuperação do solo e dos ecossistemas. Ao começar a produção, Izabella optou por adotar as duas práticas. 

Na propriedade, costumes como adubação verde, cobertura do solo com palhada e manejo voltado para a conservação da água fazem parte da rotina.

Tentamos manter a melhor relação possível com a natureza e com a comunidade. Aqui onde a gente produz nada crescia. Era só caatinga, vegetação local mesmo“, relata. 

Hoje, a propriedade conta com 10 hectares de acerola, além do cultivo de maracujá e ervas medicinais.  Segundo Izabella, a decisão de trabalhar com orgânicos nasceu da preocupação com os impactos do uso excessivo de defensivos agrícolas. 

O Brasil é um país altamente agrícola e usa agrotóxicos de forma muitas vezes exagerada e inconsciente. Muito produtor pensa que, se dobrar ou triplicar a dose, vai ter mais efeito. Eu queria desmistificar isso.

Alimentos orgânicos são menores? Produtora esclarece mitos sobre o setor

Ela destaca que uma das principais confusões sobre a produção orgânica é a ideia de que nenhum insumo pode ser utilizado no cultivo. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), uma das regras para o cultivo orgânico é a proibição do uso de fertilizantes químicos sintéticos solúveis, agrotóxicos ou organismos geneticamente modificados. 

De acordo com a produtora, nutrientes essenciais para as plantas, como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), continuam sendo utilizados, mas em formulações permitidas pelas normas da agricultura orgânica. 

Outra percepção equivocada, segundo ela, é que alimentos orgânicos seriam menores ou menos desenvolvidos.

Está errado. Ele pode ser igual ou até maior“, diz. 

Certificação ajuda a impulsionar o setor

Para Izabella, um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento da produção orgânica na Bahia é o trabalho desenvolvido pela Rede Povos da Mata, responsável por apoiar agricultores familiares e comunidades tradicionais no processo de certificação.

Uma das grandes razões para a Bahia ser um diferencial é a Rede Povos da Mata. O processo de certificação de produtos 100% orgânicos pode ser caro, e a rede ajuda a diminuir esse custo“, afirma.

A certificação é considerada uma das principais portas de entrada para mercados mais exigentes, inclusive internacionais. A produtora conta que já se prepara para exportar para os Estados Unidos.

Embora a produtividade da agricultura orgânica possa ser menor em algumas culturas, ela avalia que a valorização dos produtos compensa essa diferença. 

Ela explica que os compradores internacionais se interessam pelo produto ao saber da sua procedência, e que por isso as frutas são mais valorizadas.

A acerola orgânica é mais valorizada no mercado internacional. No fim, a quantidade é menor, mas o preço é melhor. Sai elas por elas, não diria que é um prejuízo.

Mercado em expansão

Além da demanda internacional, o consumo de orgânicos também tem crescido dentro do próprio país. Segundo Izabella, as feiras especializadas ganharam força nos últimos anos, impulsionadas principalmente pelas redes sociais.

As feirinhas orgânicas têm aumentado graças às redes sociais, que popularizaram esse tipo de consumo. Mas ainda falta apoio do setor público e das associações de bairro. Todo bairro deveria ter uma feirinha.

Para ela, a valorização da sustentabilidade deve deixar de ser um nicho e passar a ocupar espaço cada vez maior nas decisões de consumo. Essas medidas de sustentabilidade, segundo Izabella, têm virado moda. “Ainda bem”, finaliza.

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