O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com ação judicial contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Governo Federal solicitando o banimento do uso de glifosato, o defensivo agrícola mais vendido do mundo.
O documento afirma que o uso do herbicida causa riscos graves à vida humana, principalmente aos trabalhadores do meio rural. Além da proibição do uso, o MPT pede que a produção nacional e a comercialização interna e externa do produto também sejam suspensas. O órgão ainda sugere que, em caso de descumprimento da norma, a multa seja de R$ 1 milhão.
Por que o MPT pede pela proibição do uso de glifosato?
Na ação apresentada à Justiça, o MPT afirma que o uso do glifosato oferece riscos à saúde humana e ao meio ambiente. O órgão destaca que o Brasil ainda utiliza em larga escala diversos agrotóxicos já proibidos em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo o MPT, o glifosato está entre os defensivos agrícolas associados a possíveis efeitos cancerígenos e alterações hormonais. A instituição também argumenta que o uso intensivo da substância na agricultura contribui para a contaminação de rios, lagos e outras fontes de água.
Outro ponto citado pelo MPT é a retirada, no início de 2026, de um estudo publicado em 2000 na revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology. O trabalho era utilizado por agências reguladoras como uma das bases para sustentar que o glifosato não apresentava potencial cancerígeno.
A publicação foi retratada após a identificação de falhas consideradas graves em sua metodologia e em suas conclusões.
Ação judicial acende alerta para impactos de uma proibição imediata
Embora a ação do MPT destaque os riscos associados ao uso do glifosato, especialistas do setor apontam que a proibição também pode trazer desafios para a produção agrícola.
Embora a medida busque reduzir riscos à saúde, a substituição do glifosato demandaria tempo para que os produtores encontrem opções eficazes e acessíveis para o controle de plantas daninhas.
De acordo com o assessor ambiental da FAEB, Rômulo Alexandrino, grande parte dos problemas associados ao glifosato está relacionada ao uso inadequado do produto.
“O glifosato é amplamente utilizado hoje em dia e já tem seu uso consolidado. Porém, existem precauções que são necessárias”, afirma.
Segundo ele, a substância tem baixa mobilidade no solo, mas ainda pode alcançar recursos hídricos quando utilizada de forma inadequada.
“Ele pode contaminar recursos hídricos se for aplicado com alta dosagem ou com alta frequência”
O assessor afirma que o hábito da aplicação calendarizada pode aumentar os riscos de contaminação de recursos hídricos e favorecer o surgimento de plantas resistentes ao herbicida. De acordo com o especialista, o correto é observar se há presença de ervas daninhas antes da aplicação indiscriminada.
“Por outro lado, quando são seguidas as recomendações técnicas e as boas práticas de manejo, os riscos tendem a ser reduzidos e controlados.” , explica
Uso responsável está no centro da discussão
A ação do MPT ainda será analisada pela Justiça e não há prazo para uma decisão definitiva. Caso o pedido seja aceito, os impactos poderão atingir diferentes segmentos do agronegócio brasileiro.
Enquanto especialistas defendem a necessidade de proteger trabalhadores e recursos naturais, representantes do setor produtivo destacam a importância de decisões baseadas em evidências científicas e na viabilidade das atividades agrícolas. O consenso, porém, é que o uso de qualquer defensivo deve seguir critérios técnicos rigorosos.
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