Super El Niño pode agravar seca e desafiar o agronegócio baiano

Com 81% de chance de ocorrer, o fenômeno deve intensificar a seca na Bahia; veja os impactos no agronegócio e as medidas para reduzir perdas.

Super El Niño pode agravar seca e desafiar o agronegócio baiano

As chances de um Super El Niño acendem alerta para o agronegócio baiano. De acordo com a Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA), dos Estados Unidos, a probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade considerada “super” chegou a 81%. Caso a previsão se confirme, este poderá ser o evento mais intenso registrado desde o início do monitoramento da instituição, em 1950.

Os efeitos mais fortes devem acontecer entre outubro e dezembro, um período decisivo para diversas culturas agrícolas na Bahia. Com cerca de 70% do território inserido no semiárido, um El Niño mais intenso pode significar o agravamento de uma condição que já faz parte da realidade dos produtores: a seca.

Efeitos do El Niño não são novidade para produtores

O comportamento do fenômeno é conhecido. Em anos de El Niño, as chuvas tendem a aumentar nas regiões Sul e parte do Centro-Oeste do Brasil, enquanto Norte e Nordeste registram precipitações abaixo da média e temperaturas mais elevadas. Quanto maior a intensidade do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, maior tende a ser a força dessas alterações climáticas.

Para um estado que reúne desde o maior polo produtor de grãos do Nordeste até importantes regiões de cacau, café e fruticultura irrigada, os impactos podem variar conforme a cultura, mas todos têm um ponto em comum: a dependência do clima para manter produtividade.

Soja, milho e algodão podem enfrentar atrasos no calendário agrícola

O período de maior intensidade previsto para o Super El Niño coincide com o início do plantio da soja no Oeste da Bahia. Caso as chuvas atrasem ou ocorram de forma irregular, muitos produtores vão precisar adiar a semeadura ou até mesmo realizar o replantio das áreas afetadas.

O histórico recente mostra que esse cenários de impacto real não são apenas uma hipótese envolvendo a irregularidade de chuvas. Durante o último episódio de El Niño, em 2023 e 2024, os sojicultores brasileiros precisaram replantar cerca de 2,9 milhões de hectares de soja.

A preocupação não se limita à soja. Quando o plantio ocorre fora da janela ideal, todo o calendário agrícola é comprometida. O milho de segunda safra, por exemplo, passa a ser cultivado mais tarde, aumentando a exposição da cultura à falta de chuvas. O mesmo risco vale para o algodão, outra cultura de destaque do estado.

Preparação será fundamental diante de um cenário mais desafiador

Embora seja impossível evitar um fenômeno climático de grande escala, algumas medidas ajudam a reduzir seus impactos. O planejamento da gestão hídrica ganha ainda mais importância em períodos de estiagem. O uso racional da água e a manutenção de reservatórios contribuem para aumentar a resiliência das propriedades rurais.

Outra estratégia é investir em mecanismos de proteção financeira, como seguros agrícolas que ajudam a reduzir os prejuízos em caso de perdas provocadas por eventos climáticos extremos.

Além disso, acompanhar boletins técnicos e recomendações dos órgãos de pesquisa e assistência rural permite ajustar o calendário de plantio sempre que necessário. A ação reduz parte dos riscos associados à irregularidade das chuvas.

Além do planejamento dentro das propriedades, especialistas destacam a necessidade de políticas públicas voltadas aos impactos do El Niño. Em um contexto de eventos climáticos cada vez mais extremos, fortalecer a capacidade de adaptação do campo será um dos principais desafios para preservar a produção agrícola baiana.

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