Agro baiano dribla déficit do mercado e fecha abril em alta

Mesmo com quedas em outros setores, a balança agronegócio impulsionou seu crescimento com a ajuda de commodities e fruticultura.

Fotografia colorida mostrando um container de soja. Ao fundo, parte da plantação e um trator de colheita.

A balança comercial da Bahia registrou déficit de US$ 75,8 milhões em abril de 2026. O número é influeciado principalmente pela queda nas exportações, que comparadas a abril de 2025, recuaram de US$ 988 milhões para US$ 855 milhões. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 17,1%, passando de US$ 794,7 milhões para US$ 930,9 milhões.

Em contrapartida, o agro baiano se fortaleceu. Entre janeiro e abril de 2026, o saldo do setor saltou em quase 230 milhões de dólares, resultando em US$ 507,2 milhões registrados no quarto mês do ano. Esse desempenho representa um crescimento acumulado de 82,1% no primeiro quadrimestre do ano.

O resultado consolida o setor como o principal pilar das contas externas da Bahia.

Como o agro baiano consegue se manter resiliente?

Em comparação ao mesmo mês no ano passado, o agro cresceu em 21%. Esse saldo positivo foi garantido mesmo com a diminuição das exportações: a retração foi de 3,6% em 1 ano. Ainda assim, o estado manteve o equilíbrio comercial ao diminuir as importações em 61,8% (de US$ 177,8 milhões para US$ 67,8 milhões).

Os dados confirmam o papel estrutural do agronegócio na sustentação da balança comercial baiana, mesmo em um ambiente econômico externo mais desafiador.

Parceiros comerciais: o que a Bahia produz e para quem ela vende

Em abril, a China se manteve no posto de maior compradora do agro baiano. Cerca de 42% das exportações locais foram para o país asiático, que consumiu principalmente soja em grãos, celulose, e algodão e outras fibras têxteis.

A soja se manteve como a commodity mais comercializada. Além da China, países como Países Baixos, Vietnã, Espanha e Egito também importaram um volume expressivo da soja baiana. Além dela, outros produtos de interesse destes parceiros foram:

  • Países Baixos: Mangas (US$ 4,3 milhões) e limões e limas (US$ 3,6 milhões), além de produtos do cacau (US$ 3,4 milhões) acompanharam a soja e o farelo de soja na lista de produtos enviados.
  • Vietnã: Destacaram-se algodão e produtos têxteis de algodão (US$ 9,5 milhões) e especiarias (US$ 7,7 milhões), além de um interesse prelimitar também por nozes, castanhas e couros.
  • Espanha: Café verde e torrado somaram US$ 3,0 milhões, enquanto mangas, mamões e algodão complementaram a pauta exportadora.
  • Egito: Em menor escala, aparecem algodão e produtos têxteis, carne bovina, café e especiarias, indicando um mercado relevante para alimentos básicos e proteínas.

O futuro do agro baiano: o que esperar dos próximos meses

O saldo positivo de abril deixa claro que o agro baiano conta com a força da soja e das fibras para blindar sua balança comercial. Contudo, o cenário acende um alerta para a perda de ritmo de culturas históricas, como o café (-69%), o cacau (-32%) e o setor florestal (-13,8%).

Embora as projeções indiquem que o setor seguirá quebrando recordes ao longo do ano, a sustentabilidade desse avanço dependerá de estratégias robustas para enfrentar as oscilações de um mercado internacional cada vez mais competitivo e exigente.

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