Uma nova oportunidade para a fruticultura baiana pode estar próxima. O Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), anunciou que o governo de Cuba autorizou oficialmente a importação de limão-taiti brasileiro.
A abertura, regularizada pelas autoridades cubanas no início de agosto, amplia o número de destinos possíveis para a fruta que já tem forte presença no cultivo baiano, principalmente no Vale do São Francisco e no Nordeste baiano.
Limão brasileiro já tem forte presença no mercado internacional
O mercado cubano se junta à longa lista de parceiros comerciais interessados nos limões brasileiros. Em 2025, o país alcançou um novo recorde nas vendas externas, e fechou o ano como o 5º maior exportador da fruta em todo o mundo.
O limão-taiti, também conhecido como ‘lima ácida’, foi a variedade mais exportada. Ao todo, foram 106.000 toneladas enviadas ao exterior. O aumento em relação às exportações do ano anterior foi de 18%.
O principal mercado para a fruta brasileira está na Europa, principalmente em países como Reino Unido e Países Baixos. Com o acordo cubano, a diversificação desse mercados pode se tornar estratégica para o setor. Isso porque uma concentração das exportações em poucos parceiros também pode aumentar a exposição dos produtores às decisões internas desses mercados.
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Bahia tem produção de limão e espaço para avançar nas exportações
É nesse cenário que a abertura do mercado cubano ganha importância para a Bahia. O estado é o maior produtor de limão do Nordeste e tem uma cadeia produtiva distribuída por diferentes regiões.
Segundo dados da produção agrícola de 2024 compilados pela Embrapa, a Bahia foi o terceiro maior produtor de limão tahiti do Brasil. Ao todo, os produtores do estado colheram 87,3 mil toneladas de limão em uma área de 6,9 mil hectares.
A produção baiana está concentrada em diversos municípios. Segundo o IBGE, em números aproximados, os 5 municípios líderes em produção da fruta foram:
- Sátiro Dias: 16.400 toneladas
- Sapeaçu: 9.700 toneladas
- Inhambupe: 7.600 toneladas
- Muritiba: 7.000 toneladas
- Cruz das Almas: 6.700 toneladas
Nova abertura depende de articulação para virar negócio
A autorização de Cuba ainda representa uma possibilidade de um novo destino para o limão brasileiro. Isso, porém, não significa que a abertura do mercado resulte automaticamente em exportações baianas.
A transformação da oportunidade em negócios depende da articulação entre produtores, empresas exportadoras, entidades representativas e órgãos públicos, tanto para compreender as exigências do novo mercado quanto para aproximar oferta e demanda.
A experiência brasileira mostra que a abertura e a manutenção de mercados internacionais exigem negociação sanitária, qualidade, rastreabilidade e logística.
Para a Bahia, portanto, o próximo passo é fazer com que a nova porta aberta em Cuba seja conhecida pelo setor produtivo e possa ser incorporada à estratégia de internacionalização da fruticultura.
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