Exportação de café dispara na Bahia enquanto preço pago ao produtor recua

Recuperação lenta dos estoques internacionais do café aumentaram as vendas externas, mas pressionaram a produção baiana.

Exportação de café dispara na Bahia enquanto preço pago ao produtor recua

A Bahia ampliou a exportação de café em setembro, mas o avanço ocorreu em um cenário de queda nos preços pagos ao produtor do grão. Segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o estado vendeu US$ 57,2 milhões do produto no mês.

Em contrapartida, o preço do café arábica pago ao produtor recuou em setembro. Segundo especialistas da Assessoria Econômica da Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), as cotações apresentaram queda, influenciados pelo encerramento da colheita.

Café ganha espaço nas exportações baianas

Entre os produtos agropecuários exportados pelo estado em setembro, o café gerou a terceira maior receita, atrás apenas da soja e do algodão.

Segundo a SEI, o sucesso da colheita e a maior disponibilidade de grãos no mercado nacional contribuíram para ampliar os embarques. Ao mesmo tempo, os estoques internacionais em recuperação ajudaram a manter a demanda dos compradores estrangeiros.

A recuperação, no entanto, é lenta. O ritmo que impulsionou a exportação do café baiano pode ter sido uma das razões da baixa no valor recebido pelo produtor rural, segundo a FAEB. De acordo com o relatório, a recuperação dos estoques internacionais vem desacelerando a demanda pelo produto.

O encerramento da colheita também é um dos fatores que já indicava uma possível queda nos preços. Além disso, as chuvas nas regiões produtoras também contribuíram para o movimento de baixa.

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Preço do arábica recua ao longo de 2026

O aumento das exportações contrasta com a trajetória do preço do café arábica ao longo de 2026. O levantamento mostra uma queda nas cotações da saca de 60 quilos durante boa parte do ano.

No início do período, o preço permaneceu acima de R$ 2 mil por saca. A partir dos meses seguintes, porém, a cotação perdeu força e chegou à faixa de R$ 1,5 mil em alguns momentos. No fim de setembro, o valor voltou a se aproximar de R$ 1,6 mil.

A combinação dos dados mostra uma diferença importante entre o desempenho das exportações e o comportamento dos preços. A Bahia exportou mais café, mas o produto foi vendido, em média, por um valor menor.

A distinção é relevante para o produtor, já que o desempenho das exportações não representa, necessariamente, uma alta proporcional na remuneração recebida na origem.

O preço efetivamente recebido depende de outros fatores da cadeia, como mercado interno, qualidade, negociação, custos e condições de comercialização, e o cenário pode mudar conforme as condições da próxima safra.


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