O escoamento da produção agrícola baiana enfrenta dificuldades com atraso no embarque para exportação de frutas no Porto de Salvador. A lentidão das operações e o aumento de custos logísticos têm preocupado empresas e produtores que dependem do terminal para exportar mercadorias da fruticultura.
A dificuldade foi comunicada ao Governo do Estado pelos Sindicatos dos Produtores Rurais de Petrolina e Juazeiro em dezembro de 2025. Os produtores afirmam que, desde então, o problema só tem se agravado.
Chegada de novas operações ampliou a demanda no porto
Segundo Josival Barbosa, vice-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Juazeiro, a movimentação crescente de cargas no Porto de Salvador seria o centro do problema. Para o produtor, os terminais estão sobrecarregados desde o ano passado, quando grandes empresas estrangeiras se instalaram na Bahia.
Novos negócios e parcerias entre instituições internacionais e o Governo da Bahia facilitaram a implementação de operações que, apesar de impulsionarem a economia regional, acabaram também por sobrecarregar os terminais, que não têm a capacidade operacional, logística e humana de atender ao novo número de demandas enquanto mantém o padrão de qualidade.
“São 2 ou 3 dias pra embarcar um container de frutas, ou até mais [dias]. Aqui, os exportadores preferem exportar por Salvador, que é cerca de 500km [de distância]. Agora com a demora, alguns produtores estão preferindo exportar pelo Porto de Pecém, no Ceará“, diz Barbosa.
A distância entre Bahia e Ceará faz a medida parecer controversa, mas os exportadores declaram que é economicamente mais viável. Isso porque, mesmo 300km mais distante do que o porto de Salvador, o Porto de Pecém oferece condições operacionais melhores para os reefers – contêineres refrigerados que preservam a qualidade das frutas por mais tempo.
Representantes discutem medidas para reduzir atrasos
Na última sexta-feira (17), um encontro organizado pelo Conselho Municial de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda de Juazeiro reuniu produtores rurais, representates da indústria e autoridades do setor marítimo para debater sobre os impactos da lentidão na logística portuária.

Representantes de empresas exportadoras da região lamentaram a queda de qualidade dos serviços prestados no Porto de Salvador. O porta-voz da Special Fruit, exportadora da região do Vale de São Francisco, relembrou o histórico da parceria:
“Salvador até 2024 era uma opção muito boa, mas partir de 2025 não foi uma boa experiência. O porto é bom, mas o problema são as companhias marítimas que operam. Não tem bons terminais, não tem bom serviço. É uma insegurança grande, você manda o container pra Salvador e não sabe quando ele vai sair.“
O representante explica que, além dos atrasos prejudicarem a qualidade das frutas, também afetam diretamente nas contas dos produtores. Cada dia em que o container continua em terra foge do planejamento, segundo ele:
“Se o container fica muito tempo no porto, você tem que tirar e alugar um depot (local para armazenamento, manutenção e reparo de contêineres de carga). Vai ter o custo de logística, o custo de armazenagem e depois o custo de transferência dos containers desse terminal de volta pro porto, então vão ser vários custos agregados.“
Reforma e integração logística estão entre as soluções propostas
Durante a reunião, representantes do setor portuário reconheceram a necessidade de ampliar a infraestrutura do porto. Entre as iniciativas citadas está o projeto de modernização do Terminal de Contêineres (Tecon) de Salvador, que teve o financiamento de R$ 848 milhões aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no ano passado.

Diretor da Tecon Salvador, Cláudio Murilo Xavier destacou que, além dos investimentos na estrutura portuária, é necessário fortalecer a integração entre os diferentes modos de transporte para tornar a logística mais eficiente. Segundo ele, o desenvolvimento dos portos depende de uma conexão eficaz entre rodovias, ferrovias e hidrovias, garantindo maior fluidez ao transporte de mercadorias.
Apesar da sinalização de investimentos para ampliar a capacidade do terminal, os produtores saíram do encontro sem uma resposta para os problemas no curto prazo. Na avaliação do setor, as soluções apresentadas ainda dependem de ações que levarão tempo para sair do papel.
Enquanto elas não se concretizam, a expectativa é por medidas emergenciais que mantenham o fluxo das exportações e preservem a competitividade da Bahia nos mercados nacional e internacional.
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