Logo após a reativação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), no Polo Petroquímico de Camaçari, a Petrobras anunciou, nesta quinta-feira (25), a retomada da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
Com isso, a estatal busca diminuir a dependência de insumos importados e garantir segurança jurídica ao produtor rural através da duplicação da capacidade de produção de fertilizantes no Brasil. O anúncio reforça as diretrizes do Plano Nacional de Fertilizantes e impacta diretamente a economia baiana.
Este plano de expansão da Petrobras integra o planejamento estratégico desenhado para o período de 2026 a 2030. Com as plantas da Bahia, Sergipe e do Paraná, a meta inicial é atingir o patamar de 20% do mercado interno de ureia. Com o projeto de duplicação das estruturas e a conclusão de novas unidades no Mato Grosso do Sul, a estatal estima suprir 35% do consumo brasileiro de nitrogenados nos próximos anos.

Retomada em Camaçari consolida base produtiva no Nordeste
A Fafen-BA reiniciou suas operações oficiais em janeiro deste ano, recebendo cerca de R$ 100 milhões em aportes para viabilizar sua reabertura. Atualmente, a unidade opera com 90% de sua capacidade comercial instalada. A fábrica possui potencial para entregar 1.300 toneladas diárias de ureia, sendo 91 t/dia de fertilizantes. De acordo com a gestão da planta, a unidade em Camaçari é capaz de suprir 80% da demanda baiana por nitrogenados.
A consolidação e a futura duplicação da capacidade produtiva na Bahia trazem reflexos diretos ao campo. Atualmente, o Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados em suas lavouras. Essa alta dependência externa deixa o produtor baiano vulnerável a oscilações cambiais e crises logísticas internacionais, como a ocorrida na guerra da Ucrânia em 2022.
A oferta de ureia e amônia produzidas regionalmente reduz o custo do frete rodoviário. Isso gera uma maior previsibilidade orçamentária para culturas tradicionais do estado, como soja, milho e algodão.
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