Extinção de floresta nacional pode liberar crédito para produtores no Oeste da Bahia

Erro na demarcação da Floresta Nacional de Cristópolis afeta propriedades rurais de Baianópolis há mais de 20 anos.

Extinção de floresta nacional pode liberar crédito para produtores no Oeste da Bahia

Em lei aprovada na terça-feira (22), o Senado extinguiu a Floresta Nacional (Flona) de Cristópolis, no oeste da Bahia. Um decreto de 2001 criou a unidade de conservação federal, mas nunca a implantou efetivamente, devido a um erro nas coordenadas usadas para delimitar a área.

A Flona, que deveria ser em Cristópolis e abranger aproximadamente 30 mil hectares, teve sua demarcação feita em outro município. A realidade se converteu em 4.400 hectares protegidos em Baianópolis, onde propriedades rurais acabaram sendo incluídas indevidamente na área de proteção.

Em nota, o Senado reconheceu que houve erro na delimitação da unidade e afirmou que a área demarcada não reúne atributos ecológicos que justifiquem sua classificação como unidade de conservação.

Limites da Flona de Cristópolis. Fonte: Google Earth/Reprodução ((o))eco

O que muda com a extinção da Flona

Com a sanção da Lei nº 15.508, de 21 de setembro de 2026, a Floresta Nacional de Cristópolis deixa de existir oficialmente. Para o Oeste da Bahia, região marcada pela presença da atividade agropecuária, a expectativa é que a correção da delimitação permita expansão da produção rural e do acesso de produtores a , sem as restrições decorrentes de uma demarcação considerada equivocada.

A extinção da Flona, no entanto, não elimina a necessidade de proteção das áreas de vegetação nativa na região. O desafio passa a ser conciliar a conservação do Cerrado com a atividade agropecuária, a partir de uma delimitação correta das áreas protegidas e de regras que permitam a preservação ambiental sem criar restrições indevidas às propriedades rurais.

Erro na criação levou produtores à Justiça

A história começou em maio de 2001, quando um decreto presidencial criou a Floresta Nacional de Cristópolis. O texto estabelecia que a unidade ficaria no município de Cristópolis e tinha entre seus objetivos a proteção dos recursos hídricos, da biodiversidade e da Caatinga. O decreto também determinava que o Ibama adotasse as medidas necessárias para sua implantação.

O problema surgiu no momento da demarcação física, quando, ao invés de seguir as coordenadas estabelecidas no decreto, a delimitação utilizou atingiu ponto do território baiano, em Baianópolis, também na região Oeste. Com isso, propriedades rurais que não deveriam estar dentro da Flona de Cristópolis passaram a ser atingidas.

A situação trouxe consequências para produtores rurais da região. Segundo relatos, a existência da Flona dificultava alterações nas propriedades e o acesso a financiamentos rurais, além de criar entraves relacionados à documentação dos imóveis. A disputa se prolongou por mais de duas décadas.

A questão chegou pela primeira vez ao Congresso ainda em 2003, mas o projeto acabou arquivado. Mais tarde, em 2022, o próprio Poder Executivo apresentou um PL propondo extinguir a Flona e revogar o decreto de 2001. A justificativa retomava os problemas identificados na criação da unidade e apontava que a floresta nunca havia sido efetivamente implantada.

Conversas da Comunidade

0 comentários

Participe da conversa

Seu comentário será enviado para análise antes de aparecer publicamente.