O Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Turismo do Estado (Setur), tem estudado a possibilidade de transformar parte do Parque de Exposições, em Salvador, em um novo Centro de Convenções. Segundo a Setur, as discussões estão em fase inicial, com a previsão de publicação de um edital para uma Parceria Público-Privada (PPP) ainda este ano.
A proposta de um espaço que estimule o turismo de negócios também levanta questionamentos. Entre os principais: a preservação do Parque de Exposições como ponto de encontro entre o agronegócio do interior e a capital baiana.
Parque de Exposições conecta o agro à capital
Administrado pela Secretaria da Agricultura (Seagri), o espaço abriga há décadas algumas das principais feiras e exposições agropecuárias do estado. Estes eventos transformam o parque em uma vitrine para a produção agropecuária, integrando produtores rurais, empresas, instituições de pesquisa, cooperativas e representantes do poder público.
A existencia de um local aberto à eventos que pratiquem esse intercâmbio facilita o contato entre partes. Considerando as dimensões territoriais da Bahia, poderiam ter dificuldade de se encontrar naturalmente.
A preocupação do setor é que um empreendimento voltado prioritariamente ao turismo de eventos possa reduzir a disponibilidade de uma área considerada estratégica para o agro. Embora o governo ainda não tenha detalhado como funcionaria a convivência entre as atividades agropecuárias e o novo equipamento, o anúncio reacende um debate antigo sobre o uso do espaço.
Como o agronegócio ajudou a revitalizar o parque
O tema traz à memória um período em que o Parque de Exposições perdeu protagonismo. Durante anos, produtores e entidades do setor agropecuário criticaram a redução da agenda de eventos, situação que levou parte do setor a defender uma requalificação do equipamento.
A mobilização de entidades do agro e o fortalecimento de feiras agropecuárias contribuíram para devolver visibilidade ao parque. Nos últimos anos, o espaço voltou a receber investimentos e ampliou sua programação, consolidando novamente Salvador como uma porta de entrada para o campo.
Setor do agro aguarda definição sobre o projeto
Ainda não foram divulgados detalhes sobre o tamanho da intervenção nem de que forma o novo equipamento será integrado às estruturas atualmente utilizadas. Também não há informações sobre eventuais impactos na realização de feiras tradicionais e exposições rurais.
Defendido pelo governo como um investimento estratégico para a capital, o projeto ainda deve passar por discussões com o setor agropecuário. Segundo a Setur, a pasta reconhece a importância do Parque de Exposições para o agro baiano e, por isso, mantém o diálogo aberto com representantes do setor nesta fase inicial do projeto.
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