Com o crescimento gradual da demanda por energia, os debates sobre preservação ambiental e segurança energética ganham cada vez mais espaço na sociedade. Quando a saúde ou a qualidade de vida das pessoas estão em risco a discussão se itensifica. Uma das formas de produção de energia que está no centro das discussões atualmente é o fraturamento hidráulico (fracking). A técnica utilizada para extrair combustíveis fósseis de camadas profundas do subsolo.
Um desses combustíveis é o gás de xisto, usado para produzir o gás natural que serve de combustível para indústrias e veículos, emitindo menos carbono que o carvão. Embora seja apresentada como uma alternativa para aumentar a produção de energia, o método carrega um histórico controverso devido aos potenciais danos irreversíveis aos recursos naturais e às atividades produtivas de superfície, como a agricultura e a pecuária.
Como funciona o fraturamento hidráulico?
O fracking consiste na perfuração de poços profundos que, ao atingirem as rochas de xisto, realizam um desvio horizontal. Uma mistura composta por grandes volumes de água, areia e mais de 600 componentes químicos sob altíssima pressão é injetada no subsolo para liberar o gás preso na rocha. Essa força provoca explosões que fraturam a rocha, permitindo a subida do gás.

Apesar da eficácia na extração, especialistas e produtores rurais demonstram preocupação com o “custo invisível” dessa operação. O processo demanda milhões de litros de água por poço, competindo diretamente com o abastecimento humano e a irrigação de lavouras.
Riscos para a agricultura e a segurança alimentar
Para o setor agropecuário, o principal risco reside na contaminação do lençol freático. Os produtos químicos utilizados no fluido de perfuração, muitos dos quais são cancerígenos, podem vazar e atingir aquíferos que alimentam propriedades rurais.
Os impactos diretos incluem:
- Perda de certificações: A presença de resíduos químicos no solo ou na água pode inviabilizar a exportação de alimentos para mercados exigentes, como a União Europeia.
- Comprometimento da produção: A contaminação hídrica afeta a saúde do rebanho e a qualidade das culturas agrícolas, reduzindo a produtividade e o valor das terras.
- Escassez hídrica: O alto consumo de água pelo fracking pode reduzir a disponibilidade de recursos em regiões que já enfrentam longos períodos de seca.
Impactos sociais e riscos à saúde
Além dos prejuízos econômicos no campo, a sociedade urbana e rural sofre com os efeitos colaterais. De acordo com o Instituto Arayara, uma entidade sem fins lucrativos, a prática está diretamente ligada a problemas de saúde pública, como doenças respiratórias e até a má formação de bebês, devido à exposição de mulheres grávidas ao metano e outros gases tóxicos.

Há também o registro de pequenos tremores de terra causados pela pressão das explosões, comuns no processo de reinjeção de compostos químicos em rochas subterrâneas.
PL tenta proibir o fracking na Bahia
Diante desses riscos, o Projeto de Lei nº 25.402/2024, que busca proibir a utilização do método no estado, já está em tramitação na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
A proposta fundamenta-se na necessidade de proteger a integridade do meio ambiente e garantir que a Bahia não comprometa sua agricultura e a saúde de sua população em troca de uma exploração energética de alto risco.
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