A agricultura é uma das mais antigas criações da humanidade, porém, seu sucesso não pode ser atribuído somente aos produtores. Ainda hoje, um pequeno inseto continua sendo essencial na continuidade desse sistema: as abelhas. Com o passar do tempo, inovações e adaptações permitiram que a produção de alimentos fosse feita em grande escala. Mas, com o risco de extinção de diversas espécies de abelhas, principais responsáveis pela polinização das lavouras, todo esse progresso está ameaçado.
Com o maior exemplar entre as espécies alcançando apenas 4 centímetros, as abelhas são as mais importantes polinizadoras da natureza. Um estudo realizado em 2020 mostrou que cerca de 75% do que é plantado no mundo depende, em diferentes níveis, do trabalho feito pelas colmeias.
Nos últimos anos, as populações de polinizadores vêm enfrentando diversas ameaças. Ainda segundo o estudo, fatores associados às atividades humanas e às mudanças climáticas afetam o equilíbrio biológico desses animais.
Com a ausência de colmeias em áreas de cultivo onde a ação das abelhas é essencial para a polinização das lavouras, a produtividade pode ser reduzida em 90%. O impacto que gera prejuízos econômicos sem precedentes, além de afetar a segurança alimentar em todo o mundo.
Extinção das abelhas e o impacto na agricultura baiana
Algumas das commodities com maior peso na agricultura baiana são dependentes diretas da polinização das abelhas em suas lavouras. Isso significa que a extinção das espécies nativas geraria uma crise na produção de pilares da economia do estado, fazendo com que processo precisasse ser realizado de forma manual. A nova dinâmica aumentaria significativamente o custo do cultivo, refletindo diretamente no consumidor final.

O cacau, por exemplo, teria sua cultura comercial inviabilizada, pois depende da polinização para a formação dos frutos. Da mesma forma, o maracujá, a melancia e o melão passariam por essa dificuldade. Em outros casos como o da soja e do algodão, o cultivo não chega a ser interrompido, mas a qualidade e a quantidade dos produtos diminuem. Ou seja, o sumiço das abelhas também geraria impactos econômicos e comprometeria a competitividade do setor no cenário internacional.
Com a extinção das abelhas, o tradicional cultivo de café baiano também sofreria danos irreparáveis. Os especialistas responsáveis pelo estudo apontam que a produtividade das lavouras cresce de 15% a 40% quando há a presença de colmeias na região do plantio.
Impacto negativo além do campo
Além dos efeitos na economia, a ausência das abelhas na natureza coloca a manutenção da vida à prova, já que quase dois terços da população mundial ficariam em situação de insegurança alimentar. O responsável técnico regional da apicultura e meliponicultura da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Vilmar Milani, afirma que a humanidade teria apenas mais quatro anos de existência, pois o sistema de vida animal e vegetal entraria em colapso total caso isso acontecesse.

Preservação das espécies nativas
Para proteger tanto a produção quanto a raça humana desses eventos, as iniciativas de preservação das abelhas devem ser adotadas o quanto antes. Preservar o habitat natural e evitar o utilizar pesticidas somente durante o dia já são grandes passos.
Além disso, a preservação desses animais pode gerar receita para o produtor. Com a apicultura racional, um modelo de criação de abelhas em cativeiro que é considerado uma forma de conservação ambiental, já que permite o resgate de enxames em áreas de desmatamento e o intercâmbio de colônias quem mantêm a diversidade genética, o que dá origem a um mel mais saboroso e diversificado, introduzindo o produtor em mais um ramo do agronegócio.
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