Super El Niño ameaça mandioca da Bahia com riscos fitossanitários

Fenômeno climático pode elevar temperaturas e favorecer o surgimento de patógenos agressivos nas lavouras do semiárido baiano

Super El Niño ameaça mandioca da Bahia com riscos fitossanitários

Após os alertas meteorológicos sobre os riscos do super El Niño, diversas culturas do semiárido podem estar ameaçadas na Bahia. Uma das mais importantes é a da mandioca, raiz que se tornou indispensável na culinária baiana. Segundo especialistas da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o fenômeno climático pode reduzir drasticamente a oferta de raízes em todo o país.

O super El Niño deve alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas no Nordeste, especialmente nas regiões mais secas. Esse cenário cria o ambiente ideal para a propagação de patógenos agressivos na cultura da mandioca. Caso a previsão dos especialistas climáticos se confirme, os produtores deverão redobrar a atenção com o manejo sanitário nas lavouras.

Mandiocultura está ameaçada com Super EL NIño na Bahia
Crédito: Wenderson Araujo/CNA

As principais ameaças identificadas pelos especialistas são a bacteriose, a antracnose e a podridão seca. Essas enfermidades reduzem a capacidade fotossintética da planta e prejudicam o desenvolvimento pleno das raízes. Por isso, os agricultores devem intensificar o monitoramento para evitar perdas severas na produtividade.

O protagonismo da Bahia na produção nacional

A Bahia ocupa uma posição de destaque na mandiocultura nacional, sendo o maior produtor da Região Nordeste. No interior do estado, os produtores enfrentam desafios que vão além do clima instável provocado pelo super El Niño.

Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma queda na produção estadual de mandioca neste ano, mesmo sem o efeito do fenômeno. Em 2025, o setor baiano produziu mais de 906 mil toneladas da raiz. Para 2026, o instituto estima um pouco mais que 870 mil toneladas, representando uma queda de 3,8%. A redução da produtividade em algumas regiões é reflexo da alta dos custos e da baixa rentabilidade inicial.

Produção nacional pode entrar em colapso por conta do El Niño
Crédito: Wenderson Araujo/CNA

Pressão nos preços e a busca pelo mercado externo

A menor disponibilidade de matéria-prima nos campos tem pressionado os preços pagos ao produtor rural nas últimas semanas. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) identificou valorizações sucessivas na tonelada da raiz. Esse movimento protege a receita de quem consegue colher, mas prejudica o planejamento financeiro das agroindústrias.

Paralelamente, devido à alta na demanda internacional por alimentos sem glúten, a busca por derivados da mandioca brasileira segue aquecida. Os principais compradores parceiros são países asiáticos, liderados pela China.

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