Aquaponia, hidroponia e Aeroponia: o futuro do cultivo sem solo?

Descubra quais são as novas formas de plantio e como colocar em prática na sua propriedade

Aquaponia, hidroponia e Aeroponia: o futuro do cultivo sem solo?

Você já imaginou colher 3 mil hortaliças por mês, em uma área menor do que 500m² e gastando 90% menos água do que plantações comuns? Essa já é a realidade do produtor Sebastião Franco há pelo menos quatro anos. O produtor implementou o sistema de hidroponia e aquaponia em sua propriedade no município de Caravelas, no extremo sul da Bahia.

A Organização das Nações Unidas (ONU) indica para o avanço da degradação de solos e a necessidade de aumentar a produção mundial de alimentos em 70% até 2050. Com isso, as técnicas de cultivo sem terra — como a aquaponia, hidroponia e a aeroponia — passaram a ser soluções estratégicas.

O que é hidroponia e como funciona a aquaponia?

“Hortaliças são mais fáceis, por conta do ciclo curto, mas não é só isso. Dá para plantar de tudo, a questão é só a fixação das raízes”, relata Sebastião Franco, produtor de Caravelas, no extremo sul da Bahia. “Até coqueiro eu já consegui plantar na água.”

Sebastião fala sobre hidroponia, um termo que já circula há quase quatro séculos no campo da agricultura. Neste modo de cultivo não há a necessidade de terra para receber as plantas. As raízes ficam submersas em água, onde os produtores adicionam os nutrientes necessários para o desenvolvimento da plantação.

Essa ‘rega’ também pode ser feita por meio de um sistema de reciclagem hídrica ligado a um tanque de peixes, em uma técnica conhecida como aquaponia. Nela, os excrementos dos peixes servem como matéria orgânica que, após ser processada por bactérias, transforma-se em nutrientes essenciais (como o nitrato) para as plantas. Ao absorverem essas substâncias para crescer, as plantas filtram a água, que retorna limpa e oxigenada para o tanque dos peixes, fechando um ciclo sustentável de desperdício zero.

Há quatro anos Sebastião decidiu iniciar um sistema aquapônico, enxergando o potencial do projeto após experimentos bem-sucedidos com a hidroponia. “Você usa bem menos espaço, produz mais, e sobra espaço para a floresta”. São 480m² que produzem entre 2.500 e 3.000 plantas comestíveis por mês, e segundo o produtor, com economia de até 90% de água se comparada a uma plantação comum.

O sistema começou pequeno, montado com peças de uma máquina de lavar, e hoje possui reservatórios que abrigam mais de uma tonelada de tilápia por ano. Para Sebastião, o potencial de autossuficiência é quase infinito. “O próprio peixe pode ser comercializado, a hortaliça também. Dá para integrar com criação de granja ou gado, tudo alimentado com a água e a comida [do sistema]. É sustentável demais, é das formas mais antigas de se viver. É só estudar.” 

Aeroponia: outra opção?

Enquanto na hidroponia elas ficam submersas em água, a aeroponia opta por um cultivo de raízes livres. As plantas ficam suspensas no ar, geralmente presas de forma não agressiva a um recipiente, pela base do caule ou pelo colo da raiz. 

Este tipo de plantio exige cuidado redobrado, já que as raízes apresentam fotofobia e não podem ser expostas à luz. Além disso, como a planta não utiliza substrato ou água, o produtor precisa pulverizar a solução nutritiva diretamente nas raízes para alimentá-la.

Alguns benefícios justificam o interesse de instituições como a National Aeronautics and Space Administration (NASA) em investir em pesquisas sobre esse tipo de cultivo:

  • A possibilidade de plantar e colher durante todo o ano, sem interrupções para respiro do solo ou contaminações por pragas; 
  • A redução do consumo de água; 
  • A absorção maior de minerais e vitaminas, tornando os alimentos aeropônicos mais nutritivos; 
  • A facilidade no transporte das plantas de um local para outro, sem risco grande de choque.  

Os custos de aplicação de tecnologias como sensores de oxigênio e pulverizadores, essenciais para a qualidade da produção, podem ser maiores do que com outros sistemas de plantio. Ainda assim, o potencial da aeroponia como uma opção conveniente para o futuro é inédito e real.  

Como começar um sistema de hidroponia/aeroponia? 

Para os interessados nos plantios sem solo, é possível iniciar em áreas pequenas. Diversos tutoriais em vídeo ensinam como manter plantações em espaços menores, como um quintal ou na área de serviço de um apartamento. 

Instituições de ensino voltado para a agricultura, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) disponibilizam cartilhas informativas para iniciantes, além de eventos e cursos relacionados a outras práticas sustentáveis.  

Quem já tem a experiência, como Sebastião, aconselha: “O segredo é experimentar e aprender com o processo. Faça e observe, que o próprio sistema vai te ensinar como cuidar.” 

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