Inovação hídrica: como agtechs transformam a gestão da água no agro baiano

Com o setor agropecuário liderando o consumo de recursos hídricos, tecnologias de mapeamento e irrigação de precisão tornam-se vitais para a sobrevivência econômica no campo

Inovação hídrica: como agtechs transformam a gestão da água no agro baiano

O setor agropecuário ainda é o maior consumidor de recursos hídricos no Brasil. Atualmente, o campo enfrenta o desafio de produzir mais alimentos com uma disponibilidade de água cada vez menos regular. Por isso, as inovações em gestão eficiente desse recurso deixaram de ser uma escolha ambiental e se tornaram uma necessidade de sobrevivência econômica.

Os desafios são variados: desde a identificação de fontes confiáveis até o combate ao desperdício em sistemas ineficientes. Além disso, cresce a pressão por dados técnicos para outorgas e licenciamentos ambientais. Esses fatores exigem que o produtor tenha um rigoroso controle sobre a retirada e o uso da água em sua propriedade.

Crédito: Tony Oliveira / CNA

Para Carlos Lima, coordenador de inovações do Hub Semear, ligado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), a busca por soluções sustentáveis e de baixo custo é essencial. Segundo ele, essas inovações aumentam a lucratividade e a competitividade do produtor rural no mercado.

Clima desfavorável e falta de conectividade

O fornecimento de água é afetado diretamente pela dinâmica climática. Fenômenos como El Niño e La Niña alteram o regime de chuvas, especialmente no Semiárido baiano. As temperaturas mais altas elevam a evaporação e a transpiração, exigindo mais água para irrigação e energia para os sistemas de captação.

Secas prolongadas reduzem também os níveis de reservatórios e lençóis freáticos. Isso diminui a oferta de água no momento mais crítico para os agricultores, que enfrentam riscos que vão desde a quebra de safra até punições pelo uso irregular de bacias hídricas.

Crédito: Tony Oliveira / CNA

A falta de acesso à rede de água e energia também é um obstáculo. “A falta de conectividade impede a instalação de estações elétricas e reflete na ausência de torres de telefonia. Em grandes operações de irrigação, a infraestrutura muitas vezes não suporta a demanda”, afirma Lima.

Inovação e precisão: Soredsaks e OxyCrop enfrentam a crise

Neste cenário, as agtechs assumem um papel fundamental. O uso de tecnologia de ponta permite que o agricultor deixe de “estimar” e passe a “medir”. Assim, a gestão hídrica torna-se uma operação baseada em dados reais.

Soredsaks: precisão no mapeamento hidrológico

A Soredsaks atua na identificação de fontes de água. Utilizando sensoriamento remoto aplicado ao solo, a empresa elimina as incertezas de perfurações invasivas. A solução identifica fontes hídricas com alta precisão, evitando investimentos em poços secos. Além disso, fornece dados robustos para processos de outorga, garantindo um planejamento sustentável.

Crédito: Tony Oliveira / CNA

OxyCrop: inteligência e economia na irrigação

A OxyCrop foca na eficiência dentro da lavoura. Através de sensores de solo inteligentes e Internet das Coisas (IoT), a plataforma permite um controle rigoroso da umidade. A planta recebe a quantidade exata de água no momento ideal. Isso reduz o desperdício por infiltração excessiva e otimiza a produtividade ao evitar o estresse hídrico das culturas.

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