Avanço da colheita de feijão no Cerrado pressiona cotações e produtores devem se preparar para queda nos preços

Oferta do Cerrado e colheita acelerada pressionam cotações do grão, mas redução não deve impactar o consumidor final

Avanço da colheita de feijão no Cerrado pressiona cotações e produtores devem se preparar para queda nos preços

Os produtores de feijão da Bahia devem se preparar para a baixa no valor pago pelo grão no mês de agosto. Com o avanço da colheita no Cerrado brasileiro, a oferta no mercado nacional provocou o barateamento dos preços das sacas nas últimas semanas. A maior disponibilidade de grãos recém-colhidos pressionou as cotações do feijão-carioca, principal variedade consumida no país. Porém, essa redução não deve chegar ao consumidor final.

Para o vendedor, o ritmo dos trabalhos no campo cria a necessidade de intensificar as negociações para garantir o cumprimento de compromissos financeiros do ciclo produtivo. Por outro lado, os distribuidores atuam com cautela na aquisição de novos lotes, apostando na manutenção do quadro de oferta abundante.

Esse movimento de retração nos preços atinge diretamente o mercado atacadista e o produtor rural. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre colheita acelerada e ritmo lento de compras por parte do varejo tem mantido as cotações em patamares inferiores aos registrados nos meses anteriores.

Bahia é um dos principais principais produtores de feijão do Brasil
Créditos: Wenderson Araujo / CNA

Destaque para a produção baiana

Nesse cenário de oscilação do mercado, a Bahia reafirma seu papel de destaque no abastecimento nacional. O estado ocupa a posição de quarto maior produtor de feijão do Brasil, com papel fundamental na oferta regional do grão. Segundo acompanhamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produtividade no estado tem se sustentado em níveis competitivos graças ao emprego de tecnologia no campo e ao manejo adequado do solo.

A entidade estima que a Bahia colha 335,7 mil toneladas na safra 25/26, um aumento de 15,4% na produção em comparação com a safra anterior, que foi de 290,9 mil toneladas. Apesar dos resultados positivos estimados pela Conab, em 2025 o estado perdeu 8,0% de sua área plantada, número preocupante para o curto espaço de tempo.

Produção de feijão na Bahia deve crescer 15%
Créditos: Wenderson Araujo / CNA

Perspectivas para o mercado consumidor

Mesmo com o aumento do volume de feijão colhido, economistas afirmam que o valor nas prateleiras não deve ser reduzido de imediato. Para o consumidor final, os preços devem se manter estáveis. Custos com logística, por exemplo, devem manter o valor do feijão-carioca elevado na cesta básica brasileira.

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