Após semanas de negociações, o governo dos Estados Unidos decidiu pela aplicação da taxa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados ao país. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou a sanção, nesta quarta-feira (15), por determinação do presidente Donald Trump. Em resposta à taxação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma nota de repúdio em suas redes sociais e prometeu adotar medidas de reciprocidade econômica.
Uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 motivou a medida comercial, que entrará em vigor no dia 22 de julho de 2026. Washington alega que o Brasil adota práticas comerciais desleais que ferem o mercado bilateral. O órgão citou o suposto favorecimento ao sistema Pix, as condições de acesso ao mercado de etanol, além de questões relacionadas a desmatamento e corrupção.
Brasília discorda dos pontos levantados pelo governo de Donald Trump, classificando a decisão como estritamente política. Em seu posicionamento, Lula afirmou que “o dia 15 de julho passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.

Quais produtos do agro baiano correm riscos?
Apesar do anúncio ter preocupado alguns setores do agronegócio baiano, a lista final de produtos taxados trouxe um alívio para parte dos produtores do estado. Representantes da citricultura e da indústria de celulose, por exemplo, monitoravam de perto as negociações entre os dois países, mas ambos isentos da taxa extra.
Além desses produtos, a agropecuária da Bahia também foi poupada em outras culturas, como:
- Frutas Frescas (Mangas): As produções de manga do Vale do São Francisco cairiam até 70% nas exportações devido a novas barreiras.
- Café: A Bahia é o quarto maior produtor de café do Brasil.
- Carne Bovina: A pecuária baiana também se beneficiou com a isenção da carne bovina fresca e processada.
- Pescados (Tilápia): A articulação de representantes do setor nas consultas públicas realizadas em Washington na semana passada manteve o pescado fora da lista de taxação.

A USTR isentou esses produtos por considerar “sensíveis para a economia americana”. Isso significa que o governo estadunidense identificou que taxar esses produtos poderia elevar significativamente os custos para os consumidores finais e para as cadeias produtivas dentro dos Estados Unidos.
Por outro lado, derivados agrícolas como o etanol e outros produtos manufaturados sofrerão a sanção a partir do dia 22 de julho.
Brasil promete aplicar Lei de Reciprocidade Econômica
A diplomacia brasileira apontou que os pontos questionados pela administração de Trump envolvem aspectos soberanos e de segurança nacional, sendo assim, inegociáveis. Por isso, para conter o desequilíbrio na balança comercial, o governo federal pretende analisar detalhadamente a lista de produtos afetados.
O Executivo declarou que utilizará os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica para aplicar tarifas equivalentes a produtos importados dos EUA, intensificando a disputa comercial com um de seus principais parceiros econômicos.
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