A proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada no dia 1º de junho pelo governo dos Estados Unidos, está gerando preocupação no setor produtivo baiano. Essa medida, apresentada em um cenário de forte instabilidade comercial, impacta importantes culturas, como a de cacau e frutas frescas. Diante da ameaça, entidades do setor já buscam alternativas e negociações diplomáticas urgentes para mitigar os prejuízos estimados no campo.
De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), o estado movimentou US$ 481,3 milhões em exportações para os EUA em 2025. A celulose foi responsável por quase metade desse valor, gerando para a economia baiana US$ 219,3 milhões. Dessa forma, com a taxação da commodity, a perda de competitividade comprometeria imediatamente quase metade da receita gerada pelo agro baiano no mercado americano.

Tarifas do EUA ameaçam o sul da Bahia e o Vale do São Francisco
A imposição de novas barreiras tarifárias afeta diretamente municípios como Ilhéus e Wenceslau Guimarães, líderes na cacauicultura do estado. Em 2025 a Bahia exportou mais de US$ 105,6 milhões para o mercado norte-americano. Os principais produtos foram a manteiga, gordura e óleo de cacau, que ocupam posições de destaque no ranking geral das vendas baianas para os estadunidenses.
O mercado dos Estados Unidos absorve grande parte do volume processado pelas indústrias instaladas em Ilhéus, sendo o principal destino comercial desse segmento. Porém, o sul do estado não deverá ser o único prejudicado. As taxas também impactam fortemente as produções de mangas do Vale do São Francisco.

Segundo a Associação de Exportadores de Produtos Hortigranjeiros do Vale do São Francisco, as novas barreiras podem reduzir em até 70% as exportações da fruta produzida na região, gerando um prejuízo estimado em 30 milhões de dólares. O polo regional produz anualmente 1,25 milhão de toneladas de mangas e tem os Estados Unidos como um dos principais destinos.
Setores poupados aliviam parte da economia baiana
Apesar do forte impacto na cultura de celulose e na fruticultura, o documento do governo americano trouxe um anexo detalhando exceções que pouparam alguns produtos. O suco e a polpa de laranja, o café não torrado e as carnes bovinas foram mantidos fora da nova lista de taxação adicional.

A exclusão do café e de matérias-primas essenciais foi atribuída à necessidade de evitar desabastecimentos internos e conter a inflação nos Estados Unidos. O alívio parcial impede um cenário ainda mais crítico para o fechamento da balança comercial do agronegócio da Bahia.
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