Casal de produtores sai de 6 para 140 litros de leite por dia no extremo sul do estado

Suporte técnico e capacitação gerencial permitiram ao casal no Extremo Sul baiano diversificar a renda e consolidar a Queijaria no mercado

Casal de produtores sai de 6 para 140 litros de leite por dia no extremo sul do estado

De seis litros de leite por dia para uma produção média de 140 litros, mais de 15 tipos de queijos e premiações nacionais e internacionais. A trajetória de Deivid e Eduarda Brito, em Lajedão, no Extremo Sul da Bahia, mostra como assistência técnica, gestão e agregação de valor mudaram o rumo de uma pequena propriedade rural.

Há nove anos, quando o corretor de seguros automotivos Deivid Brito e sua esposa Eduarda Brito decidiram morar na zona rural do município de Lajedão, no Extremo Sul da Bahia, a realidade da propriedade era muito diferente. Em meio às incertezas, o casal tentou diversificar a renda produzindo doces para vender na região, investiu na criação de peixes e galinhas, mas nenhuma das alternativas trouxe o retorno esperado.

Após as sucessivas frustrações, os produtores decidiram investir no setor leiteiro, porém, a atividade também era limitada no local. Com a ordenha, eles conseguiam cerca de seis litros de leite diariamente. Diante da escassez, o casal decidiu produzir queijo para consumo próprio, mas logo viu na ação emergencial uma oportunidade de negócio.

Desafios enfrentados no campo

A baixa produtividade enfrentada por Deivid e Eduarda está entre os desafios recorrentes da pecuária leiteira.

“Nossos principais desafios aqui são a mão de obra muito escassa e a parte de conseguir leite. A vizinhança nossa tá muito escassa de leite”, afirmou o empreendedor.

Para Brito, a expansão do cultivo de cana-de-açúcar na região contribuiu para que pecuaristas abandonassem a produção de leite em Lajedão. Além desses problemas operacionais, a presença de apenas um laticínio de grande porte restringe a competitividade dos preços pagos aos produtores.

De acordo com o gestor de Projetos do Sebrae, Ismael Trindade, isso leva muitos pecuaristas de leite da região a migrarem para culturas como eucalipto, café, cacau e até mesmo pecuária de corte.

Além da produtividade, a atividade leiteira também sofre com gargalos em temas importantes, como:

  • Alimentação;
  • Genética;
  • Gestão de custos;
  • Manejo;
  • Qualidade do produto.

O cenário na propriedade do casal de Lajedão mudou quando Deivid e Eduarda passaram a receber o suporte da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e as orientações estratégicas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em todas essas frentes.

Técnicos do SENAR realizando um atendimento em propriedade rural na Bahia
Foto: Arquivo Pessoal

Como a assistência técnica aumentou a produção de leite

Diante da baixa escala inicial, uma das estratégias adotadas foi aumentar o valor obtido por litro de leite por meio do beneficiamento e da produção de derivados. Essa medida transformou a fabricação caseira em um processo agroindustrial profissionalizado.

Com o Senar, o casal passou por capacitações técnicas para a fabricação correta de derivados e noções de gestão de custos. Já o Sebrae atuou na orientação para o desenvolvimento de novos produtos, gestão do negócio, boas práticas de fabricação, regularização da estrutura, marketing e acesso a novos mercados. Essa evolução técnica refletiu diretamente nos números da propriedade.

Com o melhoramento genético do rebanho, manejo nutricional adequado com a implantação de capineiras e controle sanitário, a produção diária de leite aumentou. Inicialmente a propriedade alcançava média de 6 a 10 litros/dia, passando para 70 a 80 litros diários em dois anos de acompanhamento. Atualmente, a propriedade de Eduarda e Deivid atinge uma média de 140 litros de leite por dia.

  • Fotos: Arquivo pessoal

A evolução permitiu ao casal expandir o portfólio da Queijaria Flórida de um único produto inicial para mais de 15 variedades de queijos artesanais.

“Além do aumento da produção, o produtor também conseguiu evoluir significativamente na estrutura e no funcionamento de sua agroindústria. Com o crescimento da disponibilidade de matéria-prima, passou a processar todo o leite produzido na própria propriedade”, explicou o técnico do SENAR, Artur Amaral, que acompanhou de perto o processo da fazenda.

O negócio evoluiu ao ponto de conquistar prêmios nacionais e internacionais e comercializar em diversos pontos de venda, com marca própria e inspeção sanitária. Com a elevação da renda, o corretor de seguros passou a dedicar 100% do seu tempo de trabalho exclusivamente às atividades da propriedade rural.

Próximos passos e metas de expansão

A meta do casal para médio e longo prazo é expandir o rebanho próprio e a oferta de alimentos na fazenda para alcançar a marca de 300 litros de leite diários. O objetivo técnico é suprir integralmente a demanda da agroindústria com matéria-prima da própria propriedade. Isso deve reduzir custos de aquisição externa e garantir maior autonomia, padronização e margem de rentabilidade para o negócio.

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