Melhoramento genético transforma a pecuária bovina e impulsiona produtores na Bahia

Adoção de testes de DNA aumenta a precisão no melhoramento genético, mas exige planejamento no manejo, nutrição e investimento de longo prazo

Melhoramento genético transforma a pecuária bovina e impulsiona produtores na Bahia

Apesar de a pecuária ser uma prática milenar, os avanços científicos das últimas décadas iniciaram uma nova fase para a bovinocultura. Especialmente no Brasil, dono de um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, o melhoramento genético previne doenças hereditárias e otimiza características positivas para a produção. Na Bahia, a tecnologia genômica transformou o setor ao permitir a identificação precoce de animais geneticamente superiores.

A genômica estuda o conjunto completo de genes de um organismo, analisando o DNA do rebanho para aumentar a precisão na escolha de reprodutores. A adoção da técnica, no entanto, exige planejamento no manejo, na nutrição e na sanidade do rebanho. 

Na pecuária bovina, a tecnologia identifica variações genéticas conhecidas como polimorfismos de base única (SNP). Esses marcadores moleculares indicam o potencial do animal para características de interesse econômico. Com um simples teste de DNA, o pecuarista prevê o desempenho produtivo antes mesmo da coleta de dados fenotípicos.

Benefícios estratégicos para o produtor baiano

O uso do teste genômico traz ganhos diretos de produtividade e rentabilidade para o campo, viabilizando a seleção para características complexas:

  • Aumento da acurácia: a análise melhora a decisão de acasalamento em animais jovens.
  • Eficiência reprodutiva: o produtor identifica precocemente matrizes mais férteis e touros superiores.
  • Controle de anomalias: o teste evita o cruzamento de portadores de genes recessivos deletérios.
  • Qualidade do produto: a tecnologia direciona a seleção para a maciez da carne.
Investimento em melhoramento genético vira lucro em 6 anos
Créditos: Daniel Fagundes / CNA

De acordo com o zootecnista Alessandro Machado, especialista em melhoramento genético para gado de corte, esses resultados só são efetivos quando associados a um bom manejo. “O produtor precisa se ater ao manejo geral para alcançar bons resultados. O sucesso do rebanho depende da integração entre genética, nutrição, sanidade, manejo, reprodução, bem-estar animal e gestão da propriedade”.

Pontos de atenção e contraindicações do uso da ferramenta

Machado ressalta que os animais geneticamente superiores só expressam seu potencial quando recebem condições adequadas de criação. “Animais melhorados são mais exigentes em todo o contexto de produção”, afirma. Falhas na alimentação ou na vacinação, por exemplo, impedem a expressão dos genes de produtividade.

A seleção genômica não garante o sucesso da propriedade de forma isolada. O produtor precisa manter também a coleta constante de dados de campo para alimentar os bancos de dados. 

Melhoramento genético garante melhor qualidade de carne no mercado baiano
Créditos: Acervo / iAgro Notícias

Custo da seleção genética

Além disso, o custo da tecnologia exige planejamento financeiro e orientação técnica contínua. Francisco Nogueira, consultor e sócio gerente da GR Agronegócios, que trabalha com melhoramento genético de Nelores há quase 30 anos, alerta que o investimento inicial pode chegar à casa dos milhões de reais.

“Para começar um bom processo de seleção, o mínimo é um número de 100 matrizes. O custo médio de uma matriz de seleção é duas vezes maior [que a convencional] por arroba. Então, só o investimento em animais seria algo em torno de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões”, explica o pecuarista.

Créditos: Acervo Pessoal

Francisco pontua também que, para o desenvolvimento dos animais que iniciarão o processo, é necessária uma propriedade entre 150 e 200 hectares. “No Recôncavo, esse lote fica em torno de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões. Então o investimento inicial, caso o criador não tenha a terra, fica em torno de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões”.

O retorno financeiro também não é imediato. Mesmo com os avanços da última década, que reduziram em dois anos o tempo para o amadurecimento das novilhas, o avanço genético só costuma ser perceptível após seis anos. Com isso, esse se mostra um investimento de longo prazo, exigindo ainda mais cautela e estudo técnico por parte dos produtores.

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