Manejo de pastagem no semiárido: quais são as técnicas para produzir na seca?

Entenda como produtores do semiárido baiano utilizam técnicas para conviver com a seca e manter a produtividade do rebanho.

Manejo de pastagem no semiárido: quais são as técnicas para produzir na seca?

A diversidade de sistemas produtivos faz da Bahia a maior potência do agronegócio no Nordeste. No litoral, a tradicional cacauicultura movimenta a economia regional. No Oeste, a produção de soja coloca o estado entre os principais polos agrícolas do país.  

É entre esses dois cenários que se encontra o semiárido baiano. A região, marcada pela irregularidade das chuvas, demonstra anos após ano a sua importância para a pecuária graças à capacidade de adaptação dos produtores. 

Região do Semiárido. Fonte: Governo do Estado

Isso porque conviver com longos períodos de estiagem exige planejamento e estratégias. É preciso manter a produção mesmo quando a disponibilidade de água diminui. Nesse contexto, o manejo adequado das pastagens é uma das principais ferramentas para garantir alimento ao rebanho, preservar os recursos naturais e reduzir os impactos da seca sobre as atividades.

O que é o manejo de pastagem?

É um conjunto de práticas voltadas para o uso eficiente das áreas de pastejo. O objetivo é equilibrar a oferta de forragem, as necessidades nutricionais dos animais e a capacidade de recuperação da vegetação. Além de aumentar a produtividade e baratear os custos, medidas de manejo também têm função ambiental, já que podem reduzir a degradação do solo. 

No semiárido, onde a produção de forragem é diretamente influenciada pelas chuvas, o produtor é capaz de aproveitar melhor os períodos chuvosos e minimizar os prejuízos durante a estiagem.

Escolha de forrageiras adaptadas faz diferença

O primeiro passo para um manejo eficiente é utilizar espécies forrageiras adaptadas às condições climáticas da região. Plantas mais resistentes ao déficit hídrico conseguem manter a produção por mais tempo e apresentam maior capacidade de recuperação após os períodos secos.

Entre as alternativas utilizadas no semiárido estão diferentes variedades de capins resistentes à seca, além de espécies como a palma forrageira e outras forrageiras adaptadas às condições da Caatinga. A escolha deve considerar fatores como tipo de solo, regime de chuvas, sistema de produção e categoria dos animais. 

Controle da lotação e pastejo rotacionado evitam degradação

Outro fator decisivo é adequar a quantidade de animais à capacidade de produção da pastagem. Quando há excesso de animais em uma mesma área, ocorre o superpastejo, comprometendo a recuperação das plantas, reduzindo a cobertura vegetal e favorecendo processos erosivos. 

Em conjunto, um sistema de pastejo rotacionado também pode ser acionado. A prática consiste em dividir a área em piquetes e alternar o acesso dos animais entre eles. Enquanto um piquete está em uso, os demais permanecem em descanso para que a vegetação se recupere.

Fotos Wenderson Araujo

Planejamento e reserva seguem sendo a melhor indicação

Mesmo com soluções de inovação e prevenção, a força das condições climáticas pode ser maior em alguns momentos. Por isso, no semiárido, uma das principais recomendações ainda é produzir o alimento do rebanho durante o período chuvoso e armazená-lo para o período da seca. 

Silagem, feno e bancos de proteína são historicamente alternativas que ajudam a manter a alimentação dos animais quando as pastagens apresentam forragem baixa.  

Embora a seca faça parte da realidade do semiárido, é possível reduzir seus impactos com planejamento e adoção de tecnologias adequadas. O manejo eficiente das pastagens permite aproveitar melhor os recursos disponíveis, preservar a capacidade produtiva da propriedade e garantir maior segurança alimentar para o rebanho ao longo do ano.

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