O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não confirmou o anúncio esperado para a última segunda-feira (11) sobre a retirada imediata de tarifas para a importação de carne bovina. A decisão de adiar a assinatura dos decretos ocorre em um momento de forte pressão inflacionária no mercado estadunidense.
A medida seria para conter o aumento de preços e facilitar a entrada de proteína estrangeira para suprir a demanda interna. Atualmente o país apresenta o menor rebanho bovino dos últimos 75 anos. Em 1º de janeiro de 2026, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) contabilizou 86,2 milhões de cabeças, uma queda de 0,4% em relação ao ano anterior. Com esses resultados, o preço da carne moída atingindo uma alta recorde de 19% em 12 meses.

Causas da redução do rebanho norte-americano
A principal causa dessa crise foi uma seca persistente e severa em importantes regiões produtoras, que forçou pecuaristas a liquidarem matrizes devido à falta de pasto. Além do clima, incêndios devastadores em áreas de pastagem e o aumento nos custos de insumos desencorajaram a recomposição do rebanho. De acordo com a USDA, o setor deve levar pelo menos dois anos para mostrar sinais de recuperação.
Brasil assume protagonismo no mercado global
Enquanto os Estados Unidos enfrentam dificuldades produtivas, o Brasil consolidou sua posição como o maior exportador de carne bovina do mundo. A eficiência produtiva e a disponibilidade de animais prontos para o abate permitiram que o setor brasileiro preenchesse as lacunas deixadas pelos competidores norte-americanos no mercado internacional.

Especialmente para o agro baiano, a crise nos EUA representa uma oportunidade estratégica. Em 2025, o estado exportou mais de 11 mil quilos de carne bovina para o país norte-americano, arrecadando quase US$ 50 milhões.
A conjuntura favorece a valorização da arroba e a abertura de novas frentes comerciais para a carne brasileira, motivado por dois fatores principais:
- A necessidade dos EUA de importar mais carne para abastecer seu mercado interno;
- Redução da concorrência estadunidense em destinos tradicionais, como a Ásia.
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