Ciclo pecuário: como identificar as fases de alta e baixa para lucrar no campo

Compreender as oscilações entre retenção e descarte de matrizes é essencial para garantir o lucro sustentável e a eficiência na reposição do rebanho

Ciclo pecuário: como identificar as fases de alta e baixa para lucrar no campo

Além dos desafios do setor e das oscilações do cenário internacional, os pecuaristas de corte bovino precisam se atentar também a um fenômeno cíclico e inevitável no mercado mundial: o Ciclo Pecuário. Esse padrão é representado por duas fases, a alta e a baixa, que definem os preços dos bezerros e do boi gordo. Por isso, compreender essa cadeia e identificar se o momento é de retenção ou descarte de matrizes é o que separa o prejuízo do lucro sustentável nas fazendas.

A identificação correta de cada fase em que o mercado se encontra depende da observação de indicadores específicos, especialmente o comportamento em relação às fêmeas e à reposição.

Fases de alta e baixa do Ciclo Pecuário

Fase de baixa

É caracterizada por um excesso de oferta de animais no mercado. O principal sinal é a queda no preço do bezerro, o que desmotiva o criador e o leva a aumentar o abate de fêmeas para gerar caixa. Com mais vacas indo para o frigorífico, a oferta de carne aumenta, pressionando ainda mais para baixo o valor da arroba do boi gordo e do gado magro.

Fase de alta

Ocorre quando a escassez de animais começa a ditar o ritmo dos preços. O sinal claro é a valorização dos bezerros devido à baixa oferta, o que incentiva o produtor a reter matrizes para ampliar a produção. Com menos fêmeas sendo abatidas, a oferta total de gado pronto diminui, elevando os preços da arroba em todas as categorias.

Créditos: Wenderson Araujo/CNA

Atualmente, o ciclo completo costuma durar entre cinco e seis anos, com cada fase (alta ou baixa) permanecendo por cerca de dois a três anos. No Brasil, a última fase alta do ciclo ocorreu entre 2019 e 2022.

Setor espera virada definitiva do ciclo em 2026

Apesar de 2025 ter sido considerado um ano de estabilidade por não apresentar altas expressivas, especialistas indicam que 2026 será o marco da virada para a fase de alta do setor. De acordo com o consultor especializado em pecuária de corte e leite, Luiz Sande, essa virada vem desde o segundo semestre de 2025, sendo sustentada por vários indicadores técnicos de mercado e alcançando um ajuste mais consistente neste ano.

Créditos: Arquivo Pessoal / Luiz Sande, consultor especializado em pecuária de corte

Sande aponta ainda que a transição forte e gradual entre as fases do ciclo já pode ser sentida pelos pecuaristas. “Tanto no valor da arroba do boi gordo, que oscila na faixa dos R$ 330,00 a R$ 350,00 nas principais praças compradoras, frente aos R$ 274,00 de julho de 2025 (quando a virada do ciclo teve início), quanto no preço do bezerro, que alcança níveis históricos de alta, superando a faixa de R$ 3.000,00 e com tendência de manter a taxa de valorização”.

Quando a oferta de animais prontos não conseguir suprir a demanda, a tendência é que o preço do boi gordo aumente drasticamente, consolidando a transição para o topo do ciclo. Para Luiz Sande, isso significa o fim de um ciclo pecuário, marcado por um período em que o produtor tinha a mercadoria, mas não havia demanda.

Créditos: Wenderson Araujo/CNA

Estratégia para o pecuarista baiano

Para quem produz na Bahia, o monitoramento constante desses sinais é essencial para o planejamento estratégico. Em momentos de transição, como o esperado para 2026, a eficiência no giro da fazenda e a atenção redobrada aos custos de reposição serão os diferenciais para maximizar as margens de lucro antes que os preços dos insumos também acompanhem a alta do mercado.

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