Em reunião com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) membros da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina, defenderam que a proibição do uso de medicamentos antimicrobianos não seja obrigatória em todo país. Para os representantes do setor, apenas produtores que têm um mercado internacional específico como destivo deveriam adotar o modelo mais restritivo de bovinocultura.
O protocolo de adesão voluntária para a certificação e rastreabilidade de bovinos criados sem o uso de medicamentos antimicrobianos no Brasil surgiu após a União Europeia (UE) excluir o país da lista de fornecedores de carne, em junho de 2026, alegando a falta de comprovações sanitárias.
A medida tem como objetivo manter a transparência do Brasil, preservando o acesso a mercados compradores de alto valor que seguem determinações semelhantes às da UE, como o Japão e a Coreia do Sul. No entanto, o desafio reside na complexidade do ciclo produtivo da bovinocultura de corte, que exige o registro documental do histórico do animal desde o nascimento até o abate.
Essa mudança geraria diversos impactos, financeiros e sanitários, na produção de carne brasileira. Por essa questão, representantes do setor pecuário são contra a obrigatoriedade do protocolo em território nacional.

O que é o protocolo de animais livres de antimicrobianos?
O novo sistema do governo federal estabelece um controle rigoroso de auditoria sobre a vida do gado brasileiro. Para adquirir o certificado, o produtor rural precisa comprovar que não utilizou antimicrobianos banidos pelo bloco europeu, ao longo do desenvolvimento do rebanho.
A rastreabilidade exige a identificação individual e o registro do histórico sanitário em cada fase da criação:
- Cria: Registro inicial do nascimento e tratamentos preventivos na fazenda de origem.
- Recria: Controle de movimentação e histórico de medicamentos em fases intermediárias.
- Engorda: Monitoramento final em pastagens ou confinamentos até o abate.
Os impactos do novo sistema para a pecuária da Bahia
Com um rebanho bovino de 12,2 milhões de cabeças distribuído pelo estado, a Bahia é um dos destaques no cenário pecuário nacional. Por isso, a adoção do protocolo traz reflexos diretos para os produtores baianos, como a diversificação de mercados. Fazendas certificadas garantirão espaço no comércio com países que possuem elevados padrões sanitários mas que pagam mais caro pela proteína bovina, por exemplo.

Porém, opositores do sistema citam o custo de adequação como um dos problemas da imposição de forma obrigatória em todo o país. A implementação de sistemas de auditagem e identificação individual requer investimentos em tecnologia e treinamento no campo. Os produtores defendem que o sistema seja adotado de forma voluntária por pecuaristas que tenham o mercado europeu como objetivo.
Desafios operacionais e produtividade
Especialistas do setor alertam ainda que a restrição ampla de determinados antibióticos na rotina preventiva dos rebanhos pode gerar desafios operacionais. Estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que a proibição sem alternativas terapêuticas equivalentes pode elevar o risco sanitário e reduzir a produtividade em até 7% nas propriedades.
Além disso, o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina, André Bartocci, fez um alerta sobre o aumento de doenças como as clostridioses caso esses medicamentos deixem de ser utilizados.
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