O Centro de Previsão Climática da agência federal estadunidense National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) confirmou que as chances de ocorrência de um Super El Niño superaram 90%. Com o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical registrando temperaturas 2°C acima do normal, o fenômeno já atingiu intensidade “muito forte”. Em locais próximos à América do Sul, termômetros registraram marcações entre 2,8 °C e 3,7 °C.
De acordo com as projeções oficiais, há 75% de probabilidade de este evento ser o mais intenso desde 1950. Os efeitos do El Niño devem se estender de forma contínua ao longo de 2026, permanecendo ativo até o primeiro semestre de 2027. Historicamente, episódios dessa magnitude alteram a circulação atmosférica global, provocando chuvas excessivas no Sul do Brasil e secas severas nas regiões Norte e Nordeste.

Impacto econômico na Bahia é estimado em R$ 13 bilhões
Em julho deste ano, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) apresentou ao governo e à sociedade civil uma estimativa dos impactos econômicos para o setor produtivo baiano. De acordo com a entidade, se o Super El Niño atingir o estado com força similar à registrada na safra 2015/2016, os prejuízos financeiros no campo podem ultrapassar R$ 13 bilhões.
Prejuízos projetados por setor
O levantamento técnico elaborado pela Faeb detalha as cadeias produtivas com maior risco de perdas operacionais:
- Pecuária: Riscos de redução drástica de pastagens e escassez hídrica para o rebanho.
- Cafeicultura e Fruticultura: Estimativa de forte queda de produtividade nas principais regiões do estado.
- Grãos e Olerícolas: Comprometimento das safras de milho, feijão, banana, cebola e mandioca.

O presidente da Faeb, Humberto Miranda, ressaltou que a irregularidade climática interfere diretamente no custo da cesta básica, na inflação e no estímulo ao êxodo rural no semiárido. Os alertas da instituição se destacam pelo fato de que 58 municípios baianos já estão em situação de emergência devido à estiagem.
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Propostas de prevenção entregues ao Governo da Bahia
Na tentativa de reduzir os efeitos da estiagem prolongada, a Faeb encaminhou um ofício ao Governo do Estado da Bahia propondo um plano de ação estruturado em três etapas: pré-emergencial, emergencial e pós-emergencial:
- Instalação imediata de poços artesianos perfurados que permanecem inativos.
- Abertura de linhas de crédito específicas para infraestrutura hídrica nas propriedades.
- Formação de estoques estratégicos de milho para alimentação animal.
- Ampliação da assistência técnica e fortalecimento do seguro rural.
A Federação defende ainda que esses planos sejam implementados de forma permanente no estado, mesmo após o El Niño. Isso marcaria uma transição no plano de ação hídrico da Bahia, passando de um modelo reativo para um planejamento estruturado no semiárido.
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