As temperaturas mais elevadas e os períodos de estiagem prolongada registrados ao longo de 2026 provocaram uma queda na qualidade geral das frutas no Brasil. Com o mamão não foi diferente; por isso, o cenário climático imposto pelo fenômeno El Niño pode desafiar ainda mais os mamocultores brasileiros.
O clima quente e seco do primeiro semestre favoreceu a proliferação de pragas fitossanitárias, como os ácaros rajado e branco, além do surgimento de viroses nas lavouras. Para conter os danos, os produtores precisaram intensificar o manejo nas propriedades, o que elevou significativamente os custos operacionais.
Na Bahia, que em 2025 liderou a produção nacional de mamão, o comportamento do mercado apresentou contrastes regionais marcantes durante a primeira metade do ano.

Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo
Nas fazendas do Sul baiano e do Norte capixaba, o menor desempenho e o aumento dos custos operacionais limitaram a margem de lucro dos fruticultores. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no Norte do Espírito Santo, os preços da variedade Formosa recuaram 37% na parcial de janeiro a junho, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na mesma região, os custos de produção subiram 14%.
Oeste da Bahia
Por outro lado, produtores localizados no Oeste da Bahia registraram valorização da fruta. Mesmo enfrentando a pressão de viroses, essas regiões conseguiram ofertar frutas de qualidade superior, garantindo maior competitividade no mercado e melhor remuneração para o produtor.

Perspectivas para o segundo semestre pedem cautela
Para a segunda metade do ano, analistas do Cepea alertam para as consequências previstas diante do Super El Niño. As altas temperaturas e a instabilidade das chuvas ainda podem comprometer o padrão de qualidade da safra e pressionar a oferta de frutas no mercado nacional.
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