O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e também ocupa a liderança nas exportações de suco concentrado da fruta. Nesse cenário, a Bahia tem participação relevante: é o quarto maior produtor nacional e o principal do Nordeste.
O que há poucos anos era motivo de comemoração entre os citricultores baianos se transformou em um cenário de prejuízo. Em 2024, a menor oferta mundial de laranja impulsionou os preços e aumentou a rentabilidade dos produtores.
Naquele ano, o custo médio de produção no município de Inhambupe, um dos maiores produtores do estado, era estimado em cerca de R$ 500. Neste cenário favorável, a tonelada poderia valer até R$ 2.000.

A situação começou a mudar a partir de 2025. Com a recuperação da oferta e dos estoques internacionais, o mercado deixou de pagar os valores elevados registrados anteriormente. Ao mesmo tempo, a produção baiana manteve um ritmo elevado, aumentando a distância entre a quantidade de fruta disponível e a capacidade de absorção do mercado.
Em 2026, a situação é de desvantagem: o custo para produzir uma tonelada pode ser até duas vezes maior do que o lucro que ela traz.
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Falta de processamento agrava crise na Bahia
A dificuldade não está apenas no volume produzido, mas também na estrutura disponível para absorver essa produção. A Bahia não possui capacidade industrial suficiente para processar toda a laranja produzida no estado. Por isso, uma parcela da fruta é enviada para indústrias de Sergipe.
O problema é que os produtores sergipanos também enfrentaram uma safra elevada. A combinação entre a produção local e a chegada de frutas da Bahia provocou sobrecarga nas unidades industriais, com longas filas de caminhões e dificuldades para receber a produção.
Em alguns casos, a conta não fecha. O custo para colher e transportar a produção pode ser superior ao valor que o produtor receberá pela venda da fruta. Por isso, há relatos de citricultores que optaram por não colher os pomares, doar o excedente colhido ou até mesmo pela destruição de plantas.
Em Rio Real, município que está entre os principais polos de citricultura da Bahia, parte dos produtores do Sindicato do município participaram de uma ação de distribuição gratuita de laranjas para a comunidade.

Produtores buscam respostas desde o início do ano
A situação levou os citricultores a buscar apoio de entidades do poder público. Desde o início de 2026, produtores e representantes do setor têm tentado chamar atenção para as dificuldades.
Diante da crise, o Governo Federal autorizou a concessão de até R$ 10 milhões em subvenção econômica para apoiar produtores de laranja in natura na safra 2026/2027.
Apesar da criação do mecanismo, representantes do setor avaliam que o recurso anunciado não será suficiente para enfrentar a dimensão do problema. Mari Anna Batista, presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e participante das tratativas que resultaram na medida, acredita que a Bahia não deve ter qualquer tipo de prioridade no apoio do governo.
Isso porque a medida tem abrangência nacional e surgiu para atender produtores de diferentes regiões que enfrentam dificuldades semelhantes. Ao mesmo tempo, o orçamento disponibilizado é considerado pequeno diante da dimensão da crise e da quantidade de produtores afetados.
Para a citricultura baiana, o problema vai além da recuperação das cotações. Enquanto a oferta permanecer elevada e a capacidade de processamento não acompanhar o volume produzido, produtores continuarão enfrentando dificuldades para transformar a fruta colhida em renda, mesmo em um estado que ocupa posição de destaque na produção nacional de laranja.
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