Obras do trecho 1 da FIOL na Bahia serão retomadas em agosto

Paralisadas desde março de 2025, as intervenções da Ferrovia de Integração Oeste-Leste receberão verba bilionária para ligar o oeste baiano ao mercado internacional

Obras do trecho 1 da FIOL na Bahia serão retomadas em agosto

Após a finalização do processo de licitação para a conclusão do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) na Bahia, o ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou que as obras devem retornar ainda em agosto. De acordo com a pasta, o Grupo Mota-Engil assumirá a execução estrutural do trecho que vai de Ilhéus, no litoral sul do estado, até Caetité, no alto sertão.

O projeto completo no estado está avaliado em R$ 15 bilhões. A empresa deve assumir o compromisso de investir quase metade desse valor na viabilização e conclusão da FIOL 1. As obras na Bahia estão paralisadas desde março de 2025, quando problemas financeiros impossibilitaram que a concessionária anterior finalizasse o serviço.

Obras da FIOL devem recomeçar em agosto de 2026
Créditos: Wenderson Araujo / CNA

Apesar da suspensão do trabalho, a estrutura do corredor na Bahia apresenta bons índices de execução. O trecho 1, que conecta Ilhéus a Caetité, conta com 75% das intervenções concluídas. Já o trecho 2, entre Caetité e Barreiras, alcançou a marca de 71% de obras físicas executadas.

Projeto internacional

Com o avanço das tratativas na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a prioridade máxima será a conclusão dos trilhos entre os municípios baianos para destravar a implantação do corredor ferroviário.

Com a conclusão do sistema, o agronegócio baiano estará inserido em uma ousada rota internacional. O projeto tem a intenção de ligar o oceano Atlântico, pelo terminal do Porto Sul, em Ilhéus, ao porto de Chancay, no Peru, abrindo caminhos rápidos ao mercado asiático. O avanço da linha férrea assegura o protagonismo da produção baiana globalmente.

Alívio econômico e ambiental

A construção da FIOL ajuda a solucionar um problema histórico que encarece o escoamento de grãos no Brasil, especialmente na região do Matopiba. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o transporte por trens é mais sustentável e possui custo inferior ao rodoviário. Atualmente o escoamento da produção é uma das principais despesas do setor.

Trens são menos poluentes que caminhões
Créditos: Wenderson Araujo / CNA

De acordo com a entidade, mais de 60% da carga nacional depende das rodovias. Por isso, a migração do modelo de transporte desafogaria a margem de lucro dos produtores rurais. Estimativas da CNA indicam que a implantação de novas ferrovias de carga pode gerar uma redução de cerca de 30% nos custos logísticos do setor.

Além da economia, o sistema ferroviário tem uma menor emissão de poluentes, contribuindo com as metas ambientais do setor produtivo. Relatórios feitos pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), afirmam que trens emitem entre 75% e 90% menos gases de efeito estufa do que os caminhões para cada tonelada de carga transportada.

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