Defensivos agrícolas mais usados na Bahia são proibidos pela União Europeia

Levantamento do IRD reacende o debate sobre regulação, exigências ambientais e competitividade do agronegócio baiano

Defensivos agrícolas mais usados na Bahia são proibidos pela União Europeia

Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), revelou que 3 dos principais defensivos agrícolas utilizados na agricultura baiana são proibidos pela União Europeia (UE). A informação afeta diretamente a agricultura do estado, onde o uso do Mancozebe, 2,4-D e do Acefato, assegura o controle fitossanitário de grandes culturas, como a de grãos e de algodão.

A pesquisadora Larissa Mies Bombardi, responsável pelo levantamento, constatou que sete dos 10 defensivos agrícolas mais utilizados no Brasil não possuem autorização de uso no bloco europeu. A divulgação dos dados reacendeu o debate sobre regulação, produtividade e exigências ambientais no campo.

União Europeia proíbe o uso de 7 dos agrotóxicos mais usados no Brasil
Créditos: Wenderson Araujo /CNA

O impacto direto nas exportações da Bahia

Com a proibição, o agronegócio baiano pode enfrentar alguns desafios, já que exporta volumes expressivos de diferentes produtos para o bloco europeu. Com as restrições que podem ser impostas pela UE, compradores internacionais aumentaram a fiscalização sobre resíduos nos alimentos importados.

Para responder às demandas globais, o setor agropecuário da Bahia investe em tecnologias de rastreabilidade e na adoção de boas práticas no campo. O equilíbrio entre sustentabilidade sanitária e eficiência produtiva permanece no centro das estratégias do setor.

A transição gradual para soluções biológicas também é uma das alternativas buscadas pelos produtores baianos. A iniciativa ainda reforça a segurança alimentar e preserva a competitividade do setor agrícola do estado no comércio exterior.

Setor deve ampliar sistemas de detecção de produtos agrícolas
Créditos: Wenderson Araujo /CNA

Divergências regulatórias entre o Brasil e o mercado europeu

A diferença nas regras sanitárias ocorre porque a legislação europeia adota o princípio da precaução para vetar substâncias ativas. Já no Brasil, a avaliação de risco considera os níveis de exposição e as condições climáticas tropicais, que exigem soluções específicas de manejo.

Compostos como o glufosinato de amônio e a atrazina integram a lista de produtos restritos no continente europeu, mas autorizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), aqui no Brasil. Porém, apesar da proibição do uso em terras europeias, indústrias químicas localizadas no continente produzem e exportam esses princípios ativos para países da América Latina.

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