Surto de febre aftosa na China pressiona cota e pode favorecer carne brasileira

Com 65% do limite de exportação preenchido até abril, Brasil negocia suspensão de barreiras tarifárias após crise sanitária atingir rebanho chinês

Surto de febre aftosa na China pressiona cota e pode favorecer carne brasileira


Um surto de febre aftosa na China pode gerar uma reviravolta na relação comercial com o Brasil. A praga, que avança sobre os rebanhos chineses e ameaça cerca de 100 milhões de bois, pode acelerar as exportações de carne bovina brasileira. A situação acontece num momento em que o Brasil se aproxima do limite de sua cota de exportação para o país asiático em 2026.

A detecção de focos de febre aftosa, no final do mês de março, em províncias chinesas forçou o sacrifício de animais e gerou incerteza sobre o abastecimento doméstico do país. Para o Brasil, principal fornecedor de carne bovina de Pequim, esse cenário representa uma oportunidade de aumentar o volume de venda. Já que o setor pecuário chinês enfrenta dificuldades para manter a oferta interna, a dependência de importações se eleva.

Porém, do ponto de vista sanitário, as autoridades brasileiras monitoram a situação com cautela, pois o avanço da doença em território chinês exige vigilância redobrada nas relações comerciais.

Crédito: Adriano Brito/ CNA

Cota de exportação atinge 65% e gera alerta

Em dezembro de 2025 a China impôs ao Brasil, à Austrália, aos Estados Unidos e ao Uruguai um limite de exportação, que, caso seja ultrapassado, as exportações excedentes estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 55%.

Para o setor brasileiro, o total permitido sem a aplicação de sobretaxas é de 1,1 milhão de toneladas. A Secretaria de Comércio Exterior do governo federal divulgou dados que mostram que, até abril, 65% desse volume já teria sido preenchido, entre embarques realizados e produtos em trânsito. Com o ritmo atual, a previsão é que a cota seja totalmente esgotada até o mês de julho.

Crédito: Wenderson Araujo/ CNA

Planos para suspensão da cota

Diante da emergência sanitária, o governo brasileiro e entidades do setor articulam a suspensão temporária dessas restrições tarifárias. O argumento central é garantir a segurança alimentar da China durante o surto. A negociação foca na remoção da tarifa de 55% para assegurar que a carne brasileira continue competitiva mesmo após o preenchimento da cota anual.

Impacto no preço da carne para o brasileiro

Com o aumento da demanda externa, o consumidor brasileiro pode acabar sentindo o impacto do alto escoamento no preço da carne no mercado interno. Historicamente, grandes volumes de exportação podem pressionar as cotações domésticas devido à menor oferta local, mesmo com o setor registrando recordes em 2026. Por isso o monitoramento do preço do boi gordo é essencial, visto que altas expressivas nas exportações costumam refletir no valor pago pelo consumidor final nos açougues brasileiros.

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